Por: Viviane Macedo -
Emprego Certo, UOLDesenvolver sozinho um trabalho com qualidade é tão importante quanto ter um bom rendimento trabalhando em equipe.
Essas duas habilidades diferentes são esperadas em qualquer profissional, porque há momentos e situações para cada uma delas - em qualquer área, em todo trabalho.
Quando a concentração é necessária para a leitura de um contrato ou redação de um texto, nada melhor que uma sala silenciosa e ninguém para interromper o pensamento. Agora, quando o assunto é a análise para melhoria de um projeto ou a busca por novas ideias para o desenvolvimento de um trabalho, não há o que substitua uma equipe competente, pensando junto e contribuindo com diferentes perspectivas.
Mesmo diante do segundo caso, há quem prefira trabalhar sozinho e sem opiniões diferentes da sua. No entanto, no papel e até mesmo durante as entrevistas de emprego são poucos e quase raros aqueles que assumem não ter essa competência. "
Alguns profissionais encontram maior dificuldade em prezar pelo trabalho em equipe, em virtude do egocentrismo. As pessoas não aceitam compartilhar o conhecimento, os sonhos, as metas. Existe muito o 'eu' e isso não permite uma integração do grupo", afirma o palestrante e especialista no assunto, Dalmir Sant'anna, que diz ser fácil identificar profissionais com essa inabilidade.
Sant'anna explica que o individualismo, muito latente em alguns, é a maior causa da formação de equipes fracas e de pouco sucesso. "
Quando paramos para estudar grupos que não dão certo, percebemos que eles são tão segregados, tão individualistas que não conseguem se desenvolver", diz. "
Alguns profissionais sabem tudo da área, entendem tudo do trabalho, mas são incapazes de ensinar a pessoa que está ao lado", completa.
Estudando o outro lado, equipes fortes e com bom desempenho têm em comum, segundo Sant'anna, o reconhecimento por parte do gestor e dos demais integrantes do grupo. Ao invés da famosa "puxada de tapete", o mais percebido é o reconhecimento entre as pessoas. "
Você percebe que não há um querendo boicotar o outro, mas sim, pessoas reconhecendo as diferenças, percebendo o nível de envolvimento de cada uma e, principalmente, sabendo dar parabéns para aquela que alcançou a meta", conta o palestrante.
..:: Tem de jogar junto ::..Para ter um bom desenvolvimento em grupo é preciso muito mais que se relacionar bem com as pessoas. Segundo o consultor do
Instituto MVC,
Américo Marques Ferreira, trabalhar bem em equipe não é uma competência isolada, mas sim, um conjunto de habilidades que permitem que pessoas diferentes tenham objetivos em comum e caminhem no mesmo rumo. Nesse sentido, o mercado espera muito de todos os lados -
profissionais e lideranças.
"O líder precisa dar exemplo, saber apoiar, estabelecer direcionamento, cobrar resultados, entre muitas outras coisas. E o profissional para participar de uma equipe precisa ter capacidade de empatia, saber ouvir, colaborar, perseguir objetivos comuns e assim por diante", explica Ferreira.
O consultor direciona o assunto para o âmbito do esporte para exemplificar.
Num jogo de futebol, o que seria do melhor do mundo, se aquele que não é tão consagrado quanto ele não passasse a bola? O que seria do goleiro se os outros jogadores não tentassem impedir a chegada do adversário na grande área? E o que seria do técnico se o time não estivesse alinhado, pensando em equipe e buscando a meta? Nada.
Sabe por quê? Porque uma equipe só desenvolve junto, senão não pode ser chamada de equipe.
"Quando pegamos um time todo fragmentado, onde o ego é mais importante do que o resultado da equipe como um todo, vemos a equipe que tem as competências mais elevadas perdendo para uma outra que sabe
trabalhar em coletividade, mesmo sendo mais fraca", exemplifica Ferreira. Para ele, isso é reflexo claro do mercado de trabalho, quando não há cooperação mútua entre as pessoas, os resultados são comprometidos.
..:: Transformando eu em nós ::..A afirmação não é de que o trabalho individual será extinguido, muito pelo contrário, ele sempre existirá, afinal, em equipe ou não,
sempre chega a hora de sentar e desenvolver a sua parte. Mas o que tem de acabar é o pensamento individualista, pouco coletivo. "
Isso só será mudado quando as pessoas deixarem o ego um pouco de lado e perceberem que o que tem de aparecer não é o nome delas individualmente, mas o nome da equipe, do grupo", aponta Sant'anna.
Para que essa transformação seja efetiva será preciso parar de perder tempo com o que não é importante e focar no que realmente tem valor. "
Há profissionais que perdem muito mais energia em não permitir que o outro alcance um objetivo do que em fazer com que a equipe seja bem-sucedida. Isso precisa ser repensado", afirma Ferreira.
"Precisamos estar em constante evolução e não parar nunca, isso ajuda na afirmação pessoal, que também pode melhorar a questão do trabalho em equipe", garante Sant'anna, que finaliza "O mercado valoriza muito profissionais que conseguem ter bons desempenhos - individualmente e em equipe".