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3.19.2009

Tendências do Turismo: Perspectiva Gerencial

Por: Aristides Faria

Quando tratamos de organizações, a decisão da estratégia a seguir vem de cima. Isso é normal e natural, pois decisões mais “pesadas” devem nascer do cerne daqueles que tem mais experiência e, talvez, competência para tal. Entretanto, quando estamos pensando sobre a estratégia que nossa carreira deverá adotar estamos, normalmente, sozinhos para fazê-lo. Aqui já podemos perceber que há dois tipos de solidão e de conseqüências também. Vamos comentar primeiro a questão da solidão.

Solidão gerencial: trata-se dos momentos em que o pessoal que está no topo das organizações tem de tomar decisões e assumir riscos sozinhos. Não há com quem compartilhar nem os medos do fracasso ou a ambição exagerada (ganância até). Sonhamos sempre em ocupar estes cargos, mas nunca somos alertados da solidão que acompanha o poder.

Solidão profissional
: este tipo de solidão, em verdade, acomete àqueles que trabalham de maneira autônoma na gestão de suas carreiras. Podem ser empregados ou professores, consultores e palestrantes. A questão não é a atividade fim do profissional, mas a posição que ele assume na administração de sua carreira. Condutor ou conduzido?

Já comentamos em nossa coluna “Tendências do Turismo” que todo profissional da Hospitalidade necessita fervorosamente de contatos, bons e genuínos contatos. Isso vai muito além do interesse, mas não precisa chegar até a amizade ou afetividade. Quero dizer que gerenciar sua carreira e seus contatos é uma responsabilidade sua, muitas vezes assumida em solidão e que demanda energia positiva – o que não se encontra em relacionamentos não baseados na genuinidade de interesses.

A abordagem de Child & Faulkner é interessante. Eles elegem dois adjetivos para fazer referência a esta questão da boa qualidade dos relacionamentos inter-pessoais. Segundo os autores

Comprometimento e confiança são atitudes-chave mais sólidas associadas ao sucesso das alianças cooperativas. Nenhum acúmulo de energia e clareza nos objetivos pode compensar a sua ausência. É importante notar que comprometimento pode existir sem confiança e que esta pode existir sem o primeiro, mas ambos são necessários para um relacionamento estável e perene (1998, p.06).


Percebe-se, então, que comprometimento com as tarefas e com as pessoas é imprescindível. Verifica-se, ainda, que confiança em si e em nossos pares, superiores e sobordinados faz a diferença. Comprometimento e confiança juntos nos levam a um caminho estável e perene de sucessos. Vamos às conseqüências, então.

Conseqüências gerenciais: ao ocupante do cargo mais elevado da organização, compartilhar medos, receios e aspirações íntimas podem provocar reações adversas, ao contrário das esperadas e arranhar a reputação construída ao longo dos anos. Se estiver cercado de pessoas em quem confia, este processo tende a ser menos áspero e as responsabilidades compartilhadas.

Conseqüências profissionais: se você tomar decisões erradas na carreira colherá os frutos disso em solidão. Estará atirando contra os próprios pés. Contudo, os reflexos irradiam para seus pares, superiores e subordinados. Lembre-se disso!

Da próxima vez em que for pensar sua estratégia. Comprometa-se com esta tarefa e se cerque de pessoas que dividem confiança com você. O fardo será mais leve e as conseqüências – aplausos ou vaias – serão divididos sem maiores problemas.

Referência

CHILD, John; FAULKNER, David. Strategies of Co-operation. England: Oxford University Press, 1998.

PUBLICAÇÃO SIMULTÂNEA NO BLOG COSTA DO SOL TURISMO.
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