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1.09.2009

Cinco toques com... Carolina Ennes

O blog [RH em Hospitalidade] apresenta quinzenalmente um espaço de entrevistas chamado “Cinco toques com...”. São entrevistas rápidas com pessoas do trade turístico e com profissionais de RH acerca de seu momento na carreira, as perspectivas do mercado e projetos futuros. Com a palavra, o pessoal um com o pé no mercado, atualizado com o que acontece nos diversos segmentos da Hospitalidade Comercial.

Aristides Faria
: Olá Carolina! Seja muito bem vinda, primeiro, de volta ao Brasil, e ao blog [RH em Hospitalidade]. Fique à vontade para nos contar um pouco de sua vida profissional, que, apesar de curta, é bastante intensa e diversificada. Fale de sua experiência na Oceania! O espaço é seu...
I - Carolina Ennes: Olá Aristides, é um prazer estar participando do seu blog que me ajudou muito nesse curto período que estou de volta. Na Austrália você acaba fazendo um pouco de tudo, ainda mais que eu que cheguei sozinha e sabendo falar só: My name is... risos.

Logo no inicio a busca por emprego foi complicada, fiquei sabendo por brasileiros que o melhor era buscar nos jornais de quarta-feira e sábado, no inicio era impossível, afinal não falava e não entendia, uma amiga me deu idéia de mandar mensagens de texto e foi isso que fiz. O dono do Restaurante respondeu minha mensagem, quando cheguei ele viu que eu não entendia nada e acho que por pena me colocou como "Runner" que é a pessoa que leva os pratos à mesa e limpa as mesas, após 2 meses ele me deu a vaga de Waitress que é a garçonete que tira os pedidos. Nessa época eu já estava em busca de outro emprego também e queria muito que fosse dentro da hotelaria e cismei que teria que ser em uma mundialmente conhecida, enfim bati perna com meu currículo debaixo do braço, deixando claro que queria qualquer vaga e depois de duas semanas o Gerente de Hospedagem Stephen Gould do Novotel Rockford em Darling Harbour Sydney e atual Gerente do Sofitel de Fiji, me liga para uma entrevista de camareira. Ele uma das pessoas mais maravilhosas que conheci, humilde, simpático e ficou impressionado por ter me formado em Turismo e estar tentando a vida ali como camareira, após dois dias ele me ligou confirmando que eu tinha conseguido e fiquei numa felicidade enorme. Para alguns pode parecer pouco, mas sempre foi meu sonho trabalhar na Accor e essa oportunidade eu não tinha conseguido realizar no Brasil. Enfim trabalhei lá com diversas nacionalidades, não senti nenhum preconceito de ninguém. Trabalhei com Nepaleses, Chineses, Coreanos e foi maravilhoso. O trabalho era pesado mas me gratificava e acabei ficando lá até retornar o Brasil e guardo muito carinho por eles

Aristides Faria: Como você sente o mercado fluminense para os bacharéis em Turismo. Sei que estás há pouco no Rio de Janeiro, mas como está sendo sua “primeira impressão”?
II - Carolina Ennes: Logo que cheguei comecei a mandar currículo e ao contrario do que foi na minha vida antes da viagem já recebi diversas ligações para entrevista, na verdade não sei se foi o intercambio ou o inglês, mas as empresas estão me procurando mais. Um fator que sempre me incomodou muito e acredito que em todas as áreas incomode é a utilização de pessoas não formadas em Turismo, vem à tona a situação que você paga por 5 matérias na faculdade 800 a 900 reais se não tiver nenhuma bolsa ou convênio e ainda não é reconhecido como um ponto a mais por ter faculdade na área. Nesse ramo também conta mais a experiência adquirida.

Aristides Faria
: De qual maneira você acredita que a fluência no idioma inglês possa agregar valor ao seu currículo? Você pensa que falar (mesmo!) outras línguas seja um diferencial mercadológico ou ainda não chegamos a tal ponto de competição no turismo? Em minha experiência, verifico que o “portunhol” e o “the book is on the table” já resolvem, infelizmente!
III - Carolina Ennes: Aqui no Rio eu posso te garantir que conta muito! Eu tentava vaga de estagio o dia inteiro e não conseguia, ficava muito mal mesmo, eu sempre tive horror a inglês e decidi aprender espanhol quando tinha uns 13, 14 anos e fiz 3 anos e me formei, mas isso não me ajudou em nada. Não sei se por má sorte mas nenhuma empresa que tentei agregou valor ao fato da minha fluência em Espanhol. Teve uma vez que tentei a vaga de estagio na área da Governança do Hotel aqui no Rio e tinha que ter inglês e hoje eu vejo realmente a necessidade disso, quando eu estava em Sydney, realmente os hospedes me paravam no corredor para me perguntar seja para informações do que se fazer na cidade ou para pedir toalhas.

Aristides Faria: Você tem planos de seguir a área de RH. Conversamos um pouco sobre isso anteriormente, mas gostaria que você compartilhasse aqui em nossa comunidade os motivos que a levaram a este caminho!
IV - Carolina Ennes: Minha faculdade tinha 7 períodos e no sexto e sétimo tive matérias de RH, de Gestão de Recursos Humanos e toda aquela explicação de organogramas de empresas, a minha professora Luciana Villas Bôas explicando como era os treinamentos me deu um brilho que o Turismo ainda não tinha dado. Como eu te disse ainda sou semente no RH, nem trabalhei e nem me especializei na área, estou pesquisando mesmo, porém eu não sei se é fantasia da minha cabeça, mas a sensação de dar treinamentos e motivar pessoal me deu um gás. Entre os amigos e parentes eu sou a que mais faz isso e pensei se não era uma boa hora de juntar o meu prazer com o trabalho. Minha meta atual é fazer isso na área de hotelaria que é onde tenho muito carinho.

Aristides Faria
: Show, Carolina! Ainda não tive a oportunidade de atuar fora do Brasil. Neste sentido, peço algumas dicas para a moçada que deseja vivenciar nossa profissão no exterior. Como foram os instantes finais antes da partida? E da volta? Pensa em sair no país novamente?
V - Carolina Ennes: É como eu disse, nada caiu do céu. Não desanimem e procurem, procurem bastante, acho que uma apresentação pessoal ajuda. Quando estava só procurando fiz questão de me arrumar, brincos pequenos, calça social, blusa sem decotes e cores neutras e sapato confortável afinal se anda bastante. Na entrevista fiz questão de usar coque , maquiagem leve e saia social porque acho que combina mais com a postura de hotelaria, ainda que como camareira. Acredito que não importa a função e sim o valor que você agrega a ela. A partida foi um misto de alegria e tristeza. Foi um ano muito bom que me fez crescer demais e enxergar diferente. O clima do intercâmbio é muito bom, como você sabe que provavelmente você não verá aquelas pessoas novamente tudo é muito intenso, se toma proporções diferentes mas vale a pena. É uma imersão de cultura. A volta para o Brasil é sempre uma dúvida, seus amigos já tem outra rotina e você vai aos poucos se adaptando com isso e precisa ter muito cuidado para não parecer esnobe quando for contar sobre situações e pessoas diferentes que passaram na sua vida lá.

Voltei da viagem mais tranqüila, antes eu queria tudo para ontem, nunca é muito tempo mas acredito que iria para o exterior com uma proposta de trabalho ou a lazer, um intercâmbio pela Europa ainda pode existir mas quero me firmar na minha área de atuação e fazer carreira no Brasil.
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