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11.13.2008

Cinco toques com... Flávia Andrade!

O blog [RH em Hospitalidade] apresenta quinzenalmente um espaço de entrevistas chamado “Cinco toques com...”. São entrevistas rápidas com pessoas do trade turístico e com profissionais de RH acerca de seu momento na carreira, as perspectivas do mercado e projetos futuros. Com a palavra, o pessoal um com o pé no mercado, atualizado com o que acontece nos diversos segmentos da Hospitalidade Comercial.

Aristides Faria: Fico feliz em ter sua participação em nosso blog, Flávia! Seja bem vinda! Convido-a a compartilhar um pouco de sua vida profissional com a moçada do [RH em Hospitalidade]. O espaço é seu, fique à vontade!
I - Flávia Andrade: Olá pessoal! Quero, primeiramente, agradecer o convite e registrar que estou muito feliz em poder compartilhar com vocês algumas experiências. Sou bacharela em Turismo e atualmente estou me especializando em Gestão de RH. Optei por atuar em Turismo por ser fascinada pela cultura brasileira. A hospitalidade é uma vocação do povo brasileiro, ainda que em alguns casos encontre-se em estado bruto, não lapidado. Daí a importância do direcionamento e aperfeiçoamento dessa vocação, objetivando a profissionalização do Turismo. Enquanto profissional da área busco contribuir para essa profissionalização, que percebo ser um meio para promover o crescimento do país. Hoje tenho foco em gestão de pessoas, por acreditar que são as pessoas que fazem a diferença na prestação de um serviço com excelência e por ter consciência do quanto o tratamento dispensado ao cliente interno das organizações, ou seja, os colaboradores das próprias organizações, impacta diretamente na qualidade dos serviços prestados ao consumidor final.

Aristides Faria: Conhecemo-nos por ocasião do curso de Capacitação de Mentores do Projeto Trilha Jovem, do Instituto de Hospitalidade (IH). Gostaria que contasse um pouco de sua experiência atuando no Projeto. É uma experiência e tanto, não?
II - Flávia Andrade: Com certeza o Trilha Jovem é uma super experiência! Para mim foi um “divisor de águas”. No Trilha pude ter uma vivência intensa de como a profissionalização e a qualificação pode impactar e transformar a vida de uma pessoa e de uma organização. No projeto, trabalhamos capacitando jovens oriundos de famílias de baixa renda para que possam atuar no turismo. A formação é composta de 500 horas de aulas presenciais e 80 horas de atividades práticas no mercado de trabalho. Nós formamos e inserimos os jovens no mercado de trabalho. Os jovens finalizam a formação com as competências básicas necessárias para que possam se desenvolver na organização onde forem atuar. O papel do mentor é fundamental para a permanência e ascensão dos jovens no mercado. Através de práticas como orientação, acompanhamento e feedback, o mentor contribui para o crescimento do jovem enquanto profissional e ser humano. Por isso, para o Trilha, os mentores assumem, além do papel de gestor, o de educador. O grande diferencial do projeto é a atenção dispensada à atitude dos jovens. Os jovens saem, visivelmente, diferentes e conscientes de sua responsabilidade na construção da sua própria carreira. A capacitação foca três áreas de atuação: alimentos & bebidas, viagens & turismo e hospedagem.

Aristides Faria: Como lhe falei em nossa oficina, tive contato com a turma de Foz do Iguaçu (PR). Divida conosco suas impressões acerca da “identidade” que a garotada acaba desenvolvendo. Ou melhor, como você prefere dizer, do DNA do Projeto.
III - Flávia Andrade: Em verdade, essa expressão foi utilizada pela representante do Instituto Ibi, um dos nossos parceiros financiadores, e retrata a essência do Trilha Jovem, um projeto desenvolvido em seis destinos diferentes, contemplando diferentes realidades, mas que possui uma unidade, uma “causa” maior. A “causa” maior do Trilha Jovem é a inclusão social de jovens oriundos de famílias de baixa renda, através da inserção no mercado de trabalho. Os objetivos de cada um dos atores envolvidos na execução do projeto (financiadores, Coordenação Executiva Nacional, educadores, parceiros do trade, jovens e famílias dos jovens) convergem para a realização da “causa” e a soma dos esforços empenhados pela “causa” conferem a todos os envolvidos um sentimento de similaridade, intimidade, entrosamento.

Aristides Faria: Há algum caso em seu contato com os jovens participantes do Trilha que você julga resumir sua experiência no Projeto? Compartilhe com a gente, por favor!
IV - Flávia Andrade: Existe um caso recente, ocorrido na última turma formada em Salvador. A metodologia do Trilha se fundamenta na pedagogia por projetos. São três Eixos de formação, onde cada Eixo tem um foco a ser trabalhado com o jovem. Na finalização do projeto do Eixo III, da turma em questão, dois jovens com perfis completamente opostos, em um dado momento se desentenderam, ao ponto de trocar ofensas e criar um clima constrangedor entre os colegas, situação inusitada para o projeto. Após o ocorrido, a coordenação pedagógica em reunião com o educador dos jovens decidiu, em caráter educativo, que os jovens só poderiam finalizar a formação se aceitassem o desafio de trabalharem juntos para realizar uma apresentação no projeto final. Após ouvir os jovens sobre o ocorrido e tê-los orientado sobre a incompatibilidade das posturas adotadas, foi-lhes proposto o desafio e eles aceitaram. Os jovens decidiram criar um rap juntos e o fizeram com muita dedicação e respeito um ao outro e ao Trilha. Eles venceram com louvor o desafio. Foi muito gratificante ver a parceria dos dois, o abraço sincero trocado ao final da apresentação e, mais importante, ratificar que somente através da educação é possível transformar uma pessoa.

Aristides Faria: Nossa tradição, Flávia, é finalizar nossos cinco toques com dicas de nossos entrevistados. Então, peço algumas para quem deseja atuar formalmente como Mentor e para quem atua informalmente nessa posição, que é fundamental no desenvolvimento dos colaboradores. Fique à vontade!
V - Flávia Andrade: A grande dica para os mentores é: Lembrem-se, vocês são a referência dos jovens que mentoram! Esta, sem dúvidas, é a maior de todas as dicas, pois reflete a essência do que é ser mentor. Ser mentor é ser exemplo e não se restringe ao âmbito profissional. A forma como você fala, se é cortês, gentil, mal humorado, pró-ativo, solidário, verdadeiro, direto, enfim, tudo será absorvido pelo jovem que acompanha. Nos tempos atuais o velho clichê “faça o que eu falo e não o que eu faço” já não cabe e pode produzir efeitos devastadores no que tange a motivação para o trabalho. Portanto, lembrem-se: vocês precisam ser o exemplo.
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