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9.16.2013

Desaceleração global derruba fretes

..:: Por: Fernanda Pires | Valor Online

A queda no ritmo das importações da Ásia, que tem sido o motor do crescimento do transporte de contêineres brasileiro, vem derrubando os valores dos fretes na navegação. Agora os armadores apostam nas festas de fim de ano para recuperar os volumes e a rentabilidade perdida, iniciando uma rodada de aumento nos preços.

Entre o fim de 2011 e agosto deste ano, o frete de um contêiner de 40 pés da China para Santos oscilou de US$ 4.500 (o valor mais alto, em novembro de 2012) para US$ 2.300 (o ponto mais baixo, em agosto deste ano), conforme a Drewry's Container Freight Rate Insight, indicador da prestigiada consultoria inglesa Drewry.


O frete marítimo é determinado pela combinação de volume de carga e oferta de transporte. Segundo a consultoria brasileira Datamar, a importação da Ásia para o Brasil cresceu pouco no primeiro semestre, 3,4% sobre o mesmo período do ano passado, chegando a 541 mil Teus (contêiner de 20 pés). Foi o menor índice de crescimento entre todas as rotas de importação para o Brasil. E como as compras da Ásia representam quase 50% dos contêineres desembarcados no país, influenciam sobremaneira as importações brasileiras.

Na mão inversa, na exportação de Santos para China, a oscilação dos valores também foi para baixo. Saiu do máximo de US$ 1.600, em fevereiro de 2012, para US$ 1.250 em agosto deste ano.

Os valores no principal tráfego com o Brasil seguem uma tendência mundial, disse Michel Donner, da Drewry, ao Valor. Entre 2012 e 2013, o frete entre a Ásia e a Costa Oeste dos EUA, um dos mais movimentados, saiu de US$ 2.700 para US$ 1.700.

Outro indicador, o China Containerised Freight Index, que mede os valores médios de fretes de 15 armadores a partir da China, apontou queda de 30,5% nos embarques para a América do Sul em relação a julho de 2012 e o mesmo mês deste ano. O índice caiu de 1.109.63 para 771.55 pontos. A queda em todas as rotas mundiais a partir da Ásia, na mesma base, foi de 18,7%, com o indicador caindo de 1.304.97 para 1.061.03 pontos.

O principal fator para o declínio dos fretes, além da crise mundial, é o excesso de capacidade da frota mercante, especialmente no contêiner. O setor hoje trabalha com perspectiva de que o equilíbrio entre demanda e oferta volte em 2015. "Mas a mesma projeção foi feita no ano passado para o exercício de 2014", diz um armador que atua no Brasil. Dos 20 maiores armadores em rotas internacionais de contêineres que divulgam os resultados, 13 tiveram queda no lucro no primeiro semestre comparado com 2012.

Donner lembra que antes de 2009 o crescimento do comércio global era de dois dígitos. Algo que não está mais no horizonte - neste ano, o transporte marítimo deverá movimentar 650 milhões de Teus. Para 2017, a previsão é de 800 milhões de Teus, com base em alta anual de 5,4%, estima a Drewry.

Antes do estouro da crise, contudo, a situação era outra. As empresas de navegação tinham de adequar a capacidade de transporte ao crescimento dos volumes, e estabeleceram uma agenda de encomendas aos estaleiros. "Para manter um serviço de linha regular de contêineres entre a Ásia e o Norte da Europa são precisos de nove a dez navios semelhantes. Entre desenhar, encomendar, financiar e construir são necessários de três a cinco anos. Quem em 2005 podia antever a crise de 2009 e a volatilidade da recuperação da economia mundial", afirma.

Uma das formas de amortizar a volatilidade dos fretes foi buscar escala, elevando o tamanho dos navios e usando tecnologia para diminuir o consumo de combustível, o maior custo em uma viagem e que bateu recordes em 2012. A tonelada do combustível marítimo fechou a primeira semana de setembro em US$ 601, ante US$ 663 de um ano atrás.
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