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4.21.2010

Fábula: Avaliação de Desempenho

O dono de um açougue foi surpreendido pela entrada de um cão no seu estabelecimento. Enxotou-o, mas o cão voltou logo em seguida. Ao tentar espantá-lo mais uma vez, reparou que o cão trazia um bilhete na boca.

Ele pegou o bilhete e leu:

- Pode mandar-me 12 salsichas e uma perna de carneiro, por favor?

O cão trazia também dinheiro na boca, uma nota de 50 euros. O açougueiro pegou o dinheiro, pôs as salsichas e a perna de carneiro num saco e colocou tudo na boca do cão. Este começou a descer a rua e, quando chegou ao cruzamento, depositou o saco no chão, pulou e apertou o botão para o sinal ficar verde.
O açougueiro ficou realmente impressionado. Como já estava na hora, decidiu fechar a loja e seguir o cão. Este atravessou a rua e caminhou até uma parada de ônibus, sempre com o açougueiro a segui-lo. Esperou pacientemente com o saco na boca que o sinal fechasse e pudesse atravessar.

Na parada, o cão sentou-se no banco, esperando o ônibus. Quando um chegou, o cão foi até à frente para conferir o número e voltou para o seu lugar. Outro ônibus chegou e ele tornou a olhar, viu que aquele era o número certo. O açougueiro, boquiaberto, seguiu o cão.
Mais adiante, este se levantou, ficou em pé nas duas patas traseiras e apertou o botão para mandar parar o ônibus, tudo isso com as compras ainda na boca. O açougueiro e o cão saltaram e foram caminhando pela rua, até que o cão parou à porta de uma casa e pôs as compras no passeio.

Então se virou um pouco, correu e atirou-se contra a porta. Tornou a fazer o mesmo, mas ninguém respondeu. Então contornou a casa, pulou um muro baixo, foi até a janela e começou a bater com a cabeça no vidro várias vezes. Caminhou de volta para a porta e, de repente, um cara enorme abriu a porta e começou a espancar o bicho.

O açougueiro correu até o homem e impediu-o, dizendo:

- Deus do céu homem, o que é que você está fazendo? O seu cão é um gênio!

O homem respondeu:

- Um gênio? Esta já é a segunda vez, esta semana, que este cão estúpido se esquece da chave!

..:: Moral da história ::..

Você pode exceder todas as expectativas, mas a sua avaliação depende sempre da competência de quem avalia.

3.06.2010

A espiritualidade é o grande capital desta era

..:: HSM Management: Adriana Salles Gomes, editora executiva de HSM Management, entrevista Jair Moggi*

"A cultura da competição parece estar fazendo com que as pessoas sofram. Qual é a saída? A competição desenfreada, inclusive interna às empresas, é realmente fundamental para o sucesso?

Até por conta do regime militar, como sabemos, o Brasil ficou muito atrasado no que se refere a competitividade nos negócios. Quase todos os avanços que registramos datam da década de 1990 para cá. Mas agora essa cultura da competição parece estar fazendo com que as pessoas sofram. Qual é a saída? A competição desenfreada, inclusive interna às empresas, é realmente fundamental para o sucesso?


A reflexão que sugiro no tocante a essa pergunta parte da seguinte constatação: o que se consegue com a emulação da competição é tirar o melhor e o pior das pessoas. Um filme na praça que recomendo a todos os executivos e pessoas que se interessam pelo tema é Enron - Os Mais Espertos da Sala, distribuído pela Paris Filmes. Não é obra de ficção, é um documentário que reúne depoimentos reais e documentos e vídeos internos da empresa, apresentados na CPI do Senado americano, sobre o caso Enron. O filme é muito rico porque mostra o mal, como fenômeno espiritual, atuando numa organização de maneira muito explícita -e deu no que deu. O lado mais chocante do filme, para mim, é ver que foi uma cultura empresarial movida a competição que levou pessoas a fazer o que fizeram, reduzindo a pó bilhões de dólares, só para ficar nos danos materiais.

Então, qual é a alternativa para tirar o melhor das pessoas sem arriscar a tirar também o pior delas?

Eu acredito em valorizar o conceito de visão espiritual nas organizações. Como aglomerados humanos permanentes, as empresas são verdadeiras entidades coletivas vivas e, portanto, têm natureza espiritual, quer queiram, quer não.

Por quê? Explico. Quando um grupo de pessoas se junta com algum objetivo comum, seja ele qual for - desde fundar uma associação até criar um negócio -, elas estão se dedicando a um objeto imaterial - uma idéia, uma intenção, uma vontade, com pensamentos, sentimentos, atenção, trabalho e ações. E, por isso, elas acabam gerando uma cultura, um ambiente, um espírito coletivo."

..:: Confira a entrevista na íntegra: A espiritualidade é o grande capital desta era

* Jair Moggi é economista, advogado e mestre em administração de empresas pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), com especialização em recursos humanos e administração financeira na FGV-EAESP, gestão estratégica no Insead-European Institute of Business Administration (Fontainebleau, França) e solução criativa de problemas na University of New York.