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11.22.2012

Cursos à distância em alta


Com a atual crise financeira que abalou muitos países, as empresas estão sendo obrigadas a buscarem treinamento à distância para capacitação profissional de seus funcionários com custos reduzidos. Diante desse cenário, as instituições que oferecem cursos de qualificação profissional a distância foram as grandes beneficiadas. Segundo a diretora de e-learning, Magali Fernandes, da empresa paulista ECID (Educação Continuada Internacional a Distância), nos últimos 60 dias a instituição registrou aumento três vezes maior. "Diariamente estamos sendo contatados por profissionais da área de Recursos Humanos em busca de cursos de capacitação profissional a preços customizados, tanto de empresas nacionais como estrangeiras, localizadas, principalmente, em Angola, Moçambique e Portugal", explica Magali.

Os cursos profissionalizantes a distância por e-learning passaram a ser fundamentais para as economias que estão em franca expansão e precisam que seus colaboradores estejam sempre aperfeiçoando seus conhecimentos técnicos, pagando valores acessíveis. Outro diferencial é que não existem barreiras de fronteiras e o aluno tem a oportunidade de estudar nos dias e horários mais convenientes sem que prejudique sua rotina normal de trabalho.

O professor Edvaldo Nazário, coordenador pedagógico dos cursos industriais e profissional da área de engenharia da Refinaria de Capuava (Petrobrás), explica que a instituição tem condições de desenvolver qualquer curso da área de interesse dos alunos, sejam eles pessoas físicas ou grupos corporativos, em razão do seu corpo docente ser formado por profissionais altamente especializados. "Nossos cursos e conteúdos pedagógicos podem ser formatados e customizados de acordo com as necessidades dos alunos ou da empresa, tendo como base informações fornecidas pela área de treinamento de pessoal", esclarece Nazário.

Nos cursos on-line a aprendizagem é contínua e quando bem ministrado, o aluno pode aprofundar sua compreensão e as discussões com o professor passam a ser muito mais ricas, graças ao ambiente ser mais dinâmico e interativo. Atualmente, os cursos mais procurados na ECID são os industriais: desenho e projeto de tubulações industriais; curso de estruturas metálicas; automação industrial; caldeiraria (controle de caldeiras); CLP; eletrônica industrial e lógica digital; interpretação de desenho técnico; instrumentação industrial e automação de sistemas e manutenção industrial.

..:: Fonte: Portal HSM


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Educação a distância e a aprendizagem organizacional


..:: Por: Luciano Satler (É membro do Comitê de Qualidade da ABED - Associação Brasileira de Educação a Distância)

Desenvolver novas formas de aprendizado é um dos resultados que a convergência digital trouxe para os novos modelos de educação

A capacidade de aprender é essencial em tempos de transformação. Isso é válido desde a época em que a sociedade evoluiu para a atividade agropastoril, deixando a incerteza da coleta e da caça como únicas possibilidades de alimentação.

As tribos que mais rapidamente dominaram as técnicas envolvidas com a agricultura e a domesticação de animais foram as que avançaram com maior sucesso. Em tempos de transição de um modelo de sociedade para outro, aprender mais e mais rapidamente é o único caminho possível para não ser dominado ou substituído por alguém com melhor capacidade de aprendizagem.

Isso vale para indivíduos e organizações, sejam elas órgãos governamentais, empresas ou instituições sem fins de lucro. No caso das empresas, vários empreendedores estão descobrindo, não sem sofrimento, que a perda da competitividade pode acontecer muito rapidamente, seja pela introdução de novas tecnologias, seja pelo surgimento de novos players no mercado, com maior competência em processos ou na gestão da marca. Investir na aprendizagem organizacional é a melhor forma de encarar esses tempos de mudanças abruptas.

O problema que os departamentos de Recursos Humanos enfrentam hoje é que as demandas por aprendizagem se aprofundaram e foram aceleradas num nível inédito. Os programas tradicionais de treinamento e capacitação já não são suficientes, especialmente os que se baseiam no modelo anterior de difusão do conhecimento: hierarquizado, centralizado e dissociado do cotidiano dos colaboradores.

A chamada web 2.0 chega num tempo sem precedentes, em que a informação é criada e difundida em volume e velocidade antes inimagináveis, ultrapassando fronteiras geográficas e culturais antes intransponíveis.

Essa avalanche informacional exige que as pessoas aprendam novas maneiras de se comunicar, de acessar informações e desenvolvam padrões de raciocínio. O novo livro de Don Tapscott (A hora da geração digital, Editora Agir Negócios, 2010) demonstra quão radical é a transformação trazida pela convergência digital, em todos os âmbitos da sociedade.

A Educação a Distância (EAD) entra nesse bojo como uma das mais adequadas formas de se promover a aprendizagem hoje em dia. A EAD está ainda em seus primórdios, em termos de metodologias e tecnologias. No entanto, pode colaborar com construção de contextos que valorizem a criatividade e promovam a inovação.

Na prática, é irreal planejar um programa empresarial de capacitação atualmente sem incluir a EAD e, como parte fundamental dessa estratégia, a adoção da filosofia e dos recursos da web 2.0 como caminhos para a aprendizagem organizacional. Fica mais complexo, porque o conteúdo torna-se menos importante que a relação humana. E bons relacionamentos se constroem com base na confiança mútua, integridade, abordagem participativa e colaboração.

A EAD tem alguns fundamentos para ser bem-sucedida, a saber:

• Flexibilidade de tempo, ou seja, posso me dedicar a aprender quando quero.
• Flexibilidade de espaço, que eu possa me dedicar a aprender onde achar melhor.
• Flexibilidade de ritmo, poder escolher o que aprender e no momento em que considerar mais adequado.
• Personalização, ter alguém (não uma máquina ou software) com quem me relacionar sobre os assuntos que desejo aprender.
• Acesso, ter disponível o conteúdo necessário, adequadamente indicado, filtrado e priorizado.
• Administrar o pêndulo entre flexibilidade e rigidez, personalização e massificação, acesso e segredo é o que demonstra a competência da gestão que adota a EAD focada na aprendizagem organizacional.

Uma nova cultura de aprendizagem está rapidamente se estabelecendo. Isso afeta as empresas, na medida em que se tornar um ambiente propício à aprendizagem organizacional, é fundamental para a competitividade e perenidade.

Cultivar a imaginação, a criatividade e a transparência tem como princípio acreditar que a liberdade deve ser priorizada. Portanto, se a EAD é o caminho da Educação Corporativa, a web 2.0 incorpora a filosofia e as ferramentas necessárias para o pleno desenvolvimento de programas eficazes de capacitação.

Adotar esses novos rumos pede uma visão empresarial que entenda as pessoas como cerne, princípio e finalidade de tudo que se faz.

Luciano Satler (É membro do Comitê de Qualidade da ABED - Associação Brasileira de Educação a Distância)

..:: Fonte: Portal HSM | 08/06/2011


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Estrangeiros buscam trabalho nas startups


..:: Por: Adriana Fonseca | Valor Online

O desembarque de executivos estrangeiros no Brasil não para. Neste ano, até setembro, já foram concedidas 1.276 autorizações para profissionais que passaram a ocupar cargos com poder de gestão em empresas no país, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego.

Depois das multinacionais e das grandes companhias brasileiras, agora são as startups - pequenas empresas em estágio inicial e com grande potencial de crescimento - que vêm conseguindo atrair e completar seus quadros com forasteiros.

O americano Luke Cohler é um exemplo. Há pouco mais de dois anos ele chegou ao Brasil transferido pela consultoria global Bain & Company, ocupando o cargo de consultor associado sênior.

Cohler já dominava o português - uma das razões de sua transferência -, assim como o francês e o espanhol, e tinha grande interesse pelo Brasil desde a adolescência. Durante sua graduação na Universidade de Princeton, fez um estágio no Rio de Janeiro e seu trabalho de conclusão de curso teve como tema o planejamento urbano de Curitiba. Diante de tanto conhecimento sobre o país, ele se perguntou: "Não faria sentido ter uma experiência profissional no Brasil, que está em um ótimo momento?"

Logo após a mudança de Nova York para São Paulo, conheceu por meio de colegas em comum um dos fundadores do site de compras coletivas Peixe Urbano, Julio Vasconcellos. "Quando fui transferido pela Bain, já estava procurando algo para fazer na minha carreira depois da consultoria", conta o executivo, hoje com 27 anos. Passados os seis meses de seu contrato de expatriação, ele assumiu a diretoria de categorias, campanhas e comunicação do Peixe Urbano, no Rio de Janeiro.

O que atraiu Cohler a assumir a nova função não foi exatamente o salário. "Gosto da agilidade das startups e tenho dado prioridade a experiências profissionais que sejam enriquecedoras", diz o executivo, que afirma ter avançado uma década em sua carreira nesses dois anos de Peixe Urbano. Para ele, o ambiente da startup, que requer soluções para crises novas quase todos os dias, é altamente motivador. Cohler reconhece, contudo, a importância de sua experiência anterior. "Atuar em uma grande consultoria foi fundamental para o meu desenvolvimento. Mas gosto de colocar a mão na massa e de ver as coisas acontecerem. Consigo encontrar essa agilidade em uma empresa menor."

Sandra Finardi, diretora da DM Executivos, do Grupo DMRH, especializado em recrutamento e seleção, diz que o executivo que atua em uma companhia iniciante tem um perfil diferente daquele que prefere uma grande organização. Na startup, por exemplo, é preciso estar na linha de frente e ser estratégico ao mesmo tempo. "A estrutura é mais enxuta e não há secretárias ou outros funcionários para dar suporte. São ambientes bastante distintos", ressalta.

Sobre a remuneração, Sandra afirma que no longo prazo um posto em uma startup pode até ser mais vantajoso que um cargo em uma multinacional. Isso porque existem participações nos ganhos da empresa, que normalmente crescem a taxas bem mais elevadas. Nas empresas menores, no entanto, o que mais atrai os profissionais, segundo Sandra, é o desafio de poder construir algo com a cara deles. "O nível de autonomia é diferenciado e é preciso ter um olhar muito empreendedor", afirma.

Essa autonomia, a rapidez do dia a dia e a possibilidade de ter contato com o presidente e o diretor financeiro da empresa logo no começo da carreira foram os motivos que levaram o português Ricardo Parro a preferir as startups desde que entrou no mercado de trabalho. "Queria ter uma visão ampla da área de tecnologia e as empresas menores permitem isso", diz ele, que hoje é diretor de tecnologia da Printi, uma plataforma que oferece serviços gráficos on-line sediada em São Paulo. A empresa foi lançada em agosto deste ano e recebeu investimento de R$ 2,5 milhões da Greenoaks Capital e de investidores anjo.

Parro conta que havia trabalhado no desenvolvimento de outra startup em Londres, a Wonga, da área de finanças, considerada uma das companhias de crescimento mais rápido em tecnologia no Reino Unido. O executivo português diz que os dois sócios da Printi, Florian Hagenbuch e Mate Pencz, estavam precisando de alguém da área de tecnologia para se juntar à empresa, que estava começando. "Buscaram na internet, viram a minha experiência e entraram em contato."

Ele diz que nunca tinha pensado em vir ao Brasil, mas gostou do projeto e aceitou o convite para atuar como CTO (Chief Technology Officer) da Printi. "O lugar é importante, mas os projetos são mais", diz o português. "Mas estou gostando daqui", afirma, referindo-se ao Brasil. Hoje, a Printi tem cerca de 15 funcionários. Em abril, quando Parro começou, eram só três pessoas - ele e os dois sócios. "Como a equipe de uma startup é pequena, os negócios andam rápido e dá para aprender muito mais."

A agilidade na gestão é um fator que também atraiu o franco-inglês Christopher Marchak. Ele ingressou na brasileira Scup, especializada em monitoramento de mídias sociais, há menos de um ano. Ocupava, no início, um cargo júnior na área de expansão da empresa. Hoje, é um dos líderes da implementação da companhia nos Estados Unidos. "A startup dá mais responsabilidade aos profissionais e oferece uma camada de atuação maior."

O interesse de Marchak pelo Brasil começou quando ele cursava o mestrado em administração internacional da Global Alliance in Management Education (Cems), uma aliança global de escolas de negócios. Durante o programa, precisava fazer um intercâmbio em outro país e escolheu o Brasil. "Além da cultura e do clima, pesou o fato de o país estar crescendo e ter muitas oportunidades", diz Marchak. Aqui, fez um estágio na Scup. "A empresa precisava de alguém com experiência internacional e me fizeram uma proposta de trabalho quando terminei o curso", conta.

Marchak diz que precisou se adaptar à nossa cultura para lidar melhor com os novos colegas no trabalho. Ele percebeu que, no Brasil, ser muito direto pode ofender as pessoas. "É preciso falar do jeito certo ou isso interfere no trabalho. É o oposto do que acontece em Nova York, por exemplo, onde tenho que ser objetivo", diz.

Sandra, da DM Executivos, diz que a sensação experimentada por Marchak é comum entre profissionais estrangeiros que vêm trabalhar no Brasil. "Os executivos de fora precisam ter um olhar forte para a gestão de pessoas", diz. De acordo com ela, para alcançar metas no país, o líder precisa primeiro conquistar a equipe. "Muitas vezes, o profissional estrangeiro chega focado no resultado e não desenvolve uma boa relação no trabalho com a equipe, que envolve também o lado pessoal. Isso pode colocar todo o projeto em risco", alerta.

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11.21.2012

Os riscos de trabalhar sem sair da cama


..:: Por: Sue Shellenbarger | The Wall Street Journal | Valor Online

O que é mais produtivo e confortável: usar o laptop esparramado na cama ou devidamente sentado em uma mesa?

Estudiosos de hábitos de trabalho dizem que uma nova geração, que praticamente nasceu usando aparelhos móveis, está cada vez mais acostumada a teclar recostada em almofadas, deitada ou em posição fetal.

Metade dos mil trabalhadores entrevistados neste ano pela Good Technology, fabricante americana de sistemas de segurança para plataformas móveis, disse ler ou responder e-mails de trabalho sem sair da cama. Um estudo com 329 trabalhadores britânicos revelou que quase um em cada cinco passa de duas a dez horas por semana trabalhando da cama, segundo uma pesquisa de 2009 da Credant Technologies, empresa londrina de segurança de dados.

Entre aqueles que trabalham em meio aos lençóis, há quem queira simplesmente monitorar a caixa de entrada ou responder rapidamente a clientes e colegas localizados em outro fuso horário, mostram as pesquisas. Uma pessoa de 37 anos que respondeu a uma pesquisa feita em 2012 pela Infosecurity Europe, uma associação do setor em Londres, disse que "quando você trabalha com gente do mundo todo, é difícil evitar" levar serviço para a cama.

Laura Stack, especialista em produtividade radicada em Denver, no Colorado, disse que o número de clientes seus que trabalham na cama dobrou na última década.

Muitos acham que, com isso, serão mais produtivos. Volta e meia, no entanto, é só uma desculpa para adiar tarefas no horário normal de trabalho. "O raciocínio é o seguinte: 'Já que à noite vou trabalhar um pouco em casa, na cama, posso muito bem tirar uma horinha agora para checar o Facebook e o preço de passagens para minha próxima viagem", diz Stack. Seu conselho? Que a pessoa se esforce para ser mais eficiente durante o expediente e reserve a cama para o sono e o sexo, nada mais.

Alguns se deixam absorver de tal maneira por aparelhos portáteis que se sentem relapsos se desligam a parafernália. Para muitos, trabalhar na cama é um passo rumo à "sujeição à tecnologia", diz Daniel Sieberg, ex-repórter de tecnologia que publicou, em 2011, o livro "The Digital Diet" (literalmente, "o regime digital"), no qual conta como venceu o vício em aparelhos eletrônicos.

"Minha mulher tinha um apelido para mim: 'vaga-lume', porque mesmo na cama meu rosto estava sempre iluminado por alguma tela", conta. "Posso dizer, por experiência própria, que ficar com o olho pregado em uma tela não faz bem para a relação". Hoje, Sieberg fez do quarto uma "zona livre de eletrônicos".

Carregadores são plugados em outro lugar da casa. Para acordar, em vez do alarme do celular, ele usa um despertador. Mais de metade das pessoas cujo companheiro trabalha na cama acha o hábito irritante, segundo a pesquisa da Credant.

Pesquisas de mercado da americana Reverie, fabricante de camas ajustáveis, sugerem que até 80% dos jovens profissionais na cidade de Nova York trabalham regularmente da cama, diz o diretor-presidente da empresa, Martin Rawls-Meehan. A Reverie está lutando para mudar a imagem da cama ajustável - vista como "coisa de hospital" - para atrair o público mais jovem. A ideia é mostrar que elevar a cabeça ou os pés pode reduzir a tensão na hora de ver TV ou trabalhar deitado.

As camas da Reverie vêm com tomada embutida na base para quem quiser conectar uma lâmpada, um televisor, um laptop. Tanto a tomada como os ajustes da cama podem ser operados com controle remoto, ou por Wi-Fi e Bluetooth através do celular ou do tablet.

David Spiegel evitava trabalhar da cama por achar desconfortável. Mas desde que comprou uma cama ajustável da Reverie, seis meses atrás, o advogado de Chicago passou a checar e enviar e-mail à noite. Elevar a cabeceira e o pé da cama impede a tensão nas costas, diz. Além disso, o ritual noturno de trabalho o ajuda a "ficar por dentro e a garantir que esteja tudo em ordem" - e a saber que vai chegar no dia seguinte "preparado".

A fabricante americana de camas de luxo E.S. Kluft & Co., da Califórnia, acaba de lançar uma cama gigante (com 2,15 metros de largura e comprimento). O modelo é 16% maior que uma cama king normal e 30 centímetros mais largo que uma versão já maior, a California King. Um modelo tem ajustes separados para cada lado, em parte para permitir que o casal espalhe papéis na cama e trabalhe dali mesmo, diz o diretor-presidente da empresa, Earl Kluft. Uma propaganda recente mostra um casal checando o laptop lado a lado. A cama é vendida como "um lugar de encontro, um local de trabalho, uma zona de conforto para o casal", diz Kluft.

A Steelcase, fabricante americana de mobiliário de escritório, vem estudando hábitos de trabalho da geração do milênio e de outros jovens trabalhadores. Há pouco, lançou uma linha de poltronas reclináveis com apoio para a cabeça e almofadas para quem deseja trabalhar ou conversar com colegas de uma posição mais confortável. A empresa espera que mais empregadores substituam um cubículo ou dois por mobiliário flexível como esse. "Talvez a pessoa até diga, 'vou trabalhar aqui, não hoje a noite na cama'", diz James Ludwig, diretor global de design da empresa.

Especialistas em ergonomia não botam fé na tendência. Segundo Sieberg, muita gente que leva o laptop ou outros aparelhos para a cama acaba com torcicolo ou dor nas costas por manter o corpo em uma posição desconfortável - apoiado nos cotovelos ou virando de lá para cá na tentativa de achar uma boa posição. Usar sem maiores compromissos um smartphone ou tablet na cama traz menos risco de um problema ergonômico que realizar um trabalho variado e intenso no laptop. Mas trabalhar em qualquer aparelho portátil na cama por mais de uma hora sem apoio lombar, com o pescoço muito curvado para a frente ou com os braços e as mãos suspensos em um ângulo incômodo, provavelmente vai causar dor e desconforto.

Don Chaffin, diretor emérito do Centro de Ergonomia da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, recomenda o uso de um teclado solto sobre uma mesinha de colo ou uma almofada. E, também, apoiar cotovelos e braços de modo que os pulsos estejam em linha reta quando estendidos. Qualquer tela ou monitor deve ficar no nível dos olhos, ou abaixo dele, talvez em uma mesinha móvel ou braço retrátil, para que o usuário não tenha que dobrar o pescoço em um ângulo de mais de 15 graus. Um apoio lombar para as costas e mais almofadas sob as pernas podem aliviar a tensão muscular, diz Chaffin. E mais: a cada hora, mais ou menos, a pessoa deve levantar e se mexer um pouco.

O sono também pode ser prejudicado, é claro. Russell Rosenberg, presidente da Fundação Nacional do Sono, nos EUA, diz que a luz da tela de eletrônicos tende a suprimir o hormônio do sono, a melatonina. E o hábito de trabalhar na cama pode "romper o elo entre o sono e o quarto" e desencadear ou piorar um quadro de insônia, diz.

Tirando os poréns, há quem jure que trabalha melhor na cama. O poeta americano Charles Simic, vencedor de um Pulitzer, diz que escreveu "parte absurda" de seus 19 livros de poesia em meio ao emaranhado dos lençóis. Mesmo quando tinha uma sala com vista para o Capitólio, durante sua temporada como Poeta Laureado dos EUA, ele preferia a cama. "Tudo flui muito melhor" ali, diz.



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