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8.24.2018

RH em Hospitalidade: de olho no futuro!


Intenção de viagem: estamos fora do radar do turista brasileiro?

Aristides Faria, Professor do Instituto Federal de São Paulo

O Brasil vem se consolidando como principal destino turístico escolhido pelos brasileiros. Isso não é exatamente uma novidade e, no cenário atual, tem feito sentido para cada vez mais de nós. A alta taxa de câmbio limita a liberdade do brasileiro em sonhar em passar suas férias ou mesmo fazer negócios no exterior.

Resultados da pesquisa “Sondagem do Consumidor: Intenção de Viagem” (2016), divulgada pelo Ministério do Turismo na última sexta-feira (9), apontaram que 79% tendem a escolher o Brasil como destino de viagem durante os próximos seis meses.

Conforme os dados do levantamento, o modal aéreo deverá ser o principal modo escolhido para o deslocamento desses viajantes. Isso tem a ver com as principais regiões desejadas pelos entrevistados: Nordeste (41%), Sul (26,6%), Sudeste (20,3%), Centro-Oeste (6,6%) e Norte (5,5%).

Outras tendências também podem ser verificadas: viagens de menor duração e descolamentos de menor distância que o habitual, opção por destinos localizados, primeiro, em seus próprios estados, estados limítrofes, macrorregiões e depois estados e macrorregiões vizinhas.

É possível inferir, então, que o litoral paulista está fora do radar do turista brasileiro. É natural que questões metodológicas impactem nos resultados obtidos, mas, de qualquer forma, esta pesquisa pode – deve – colocar em alerta empresários, investidores, gestores públicos, entidades setoriais e mesmo profissionais em formação.

A quantidade de turistas que recebemos – há décadas – reflete o perfil de visitantes que planejamos captar? O volume de vendas e o faturamento obtidos acompanham a quantidade de visitantes que circulam em nossa região? A qualificação da mão de obra atuante no setor de serviços está pronta para atender ao perfil do público que demanda os municípios do litoral paulista?

Ademais da quantidade de visitantes que “descem” para as praias, temos sido competentes em estabelecer marcas e consolidar uma boa reputação para nossas cidades e seus atrativos locais? Além disso, enquanto um grande grupo, temos sido hábeis em ofertar produtos e serviços de boa qualidade?

Considerando que nossos turistas são visitantes habituais, já que em grande número são oriundos da capital, do interior do estado de São Paulo, de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, por exemplo, você acredita que ano a ano nossa oferta tem se diversificado para que se mantenha a atratividade do destino “Costa da Mata Atlântica”?

Particularmente, tenho mais perguntas que respostas prontas e frases de efeito para tentar fazer frente a questionamentos preconcebidos. Pela própria natureza de minha profissão, frequentemente me pego buscando respostas para os problemas estruturais do setor de viagens e turismo de nossa “Costa da Mata Atlântica”.

Também com certa frequência me pego pensando sobre os caminhos que nos trouxeram até aqui e os rumos que nos levarão aos próximos capítulos de nossa história. É certo, porém, que tempos de crise institucional, econômica e política exigem o efetivo exercício do protagonismo por parte dos profissionais do setor.

Fale com o autor: aristidesfaria@ifsp.edu.br

Turismo, Hotelaria, Hospitalidade & Espírito de Serviço

Aristides Faria, Professor do Instituto Federal de São Paulo

Um dos motivos que me levou a adotar o turismo como campo de atuação profissional foi o fato de ter nascido e crescido em um destino turístico. Isso significa ter contato desde bastante cedo com turistas oriundos das mais diversas origens.

Além de aspectos culturais, o encontro entre os visitantes e residentes nos destinos oportuniza aos anfitriões uma visão de mundo diferente. Me refiro a um olhar diferente a respeito de nossa própria região.

A visão que adquiri, então, e a qual venho buscando refinar ao longo do tempo é orientada por dados socioeconômicos obtidos junto a organismos (para)estatais como a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (SEADE) < http://www.perfil.seade.gov.br/ > e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) < http://cidades.ibge.gov.br >.

Especificamente a respeito do destino Guarujá, destaco que a população estimada é de 315.563 mil habitantes, sendo que 21,21% ou 66.930 habitantes têm menos de 15 anos e 12,16% ou 38.372 habitantes correspondem à população com 60 anos ou mais. Assim, cerca de 210.260 habitantes compõem a população em idade produtiva (16 a 59 anos) – ainda que esta noção esteja em permanente mutação.

O setor de serviços caracteriza a economia da Região Metropolitana da Baixada Santista (RMBS) e de nossa cidade também. Os dados coletados dão conta de que 55,24% dos empregos formais existentes são oriundos de negócios deste setor. Além disso, verifica-se que o rendimento médio mensal destes empregados, em média, é de R$ 3.343,65.

Tomando em conta o ano de 2016, o rendimento médio per capita foi de três salários mínimos (R$ 880,00) ou R$ 2.640,00. A despeito das divergências e diferenças metodológicas, é importante que os jovens ingressantes no mercado de trabalho estejam atentos a estes indicadores, os quais, do mesmo modo, são dinâmicos.

O município apresenta, entretanto, indicadores relativamente mais baixos que os níveis estaduais em termos de infraestrutura e saúde pública. Alguns exemplos são o nível de atendimento do sistema de coleta de lixo (município: 99,17% x estado: 99,66%); nível de atendimento do sistema de abastecimento de água (93,17% x 97,91%) e coleta/tratamento de esgoto sanitário (77,97% x 89,75%).

Outro indicador no qual ainda ficamos para trás é o rendimento nominal per capita em relação à média regional e estadual: município: R$ 27.019,57; RMBS: R$ 34.531,45; e Estado: R$ 45.064,93.

Fica patente, então, que precisamos ser mais produtivos. Otimizar recursos públicos e privados no sentido de empregar melhor a força de trabalho da qual já dispomos. É importante notar, como me referi no título, que turismo, hotelaria e hospitalidade compõem nosso DNA ou nosso “espírito de serviços”. Estamos acostumados com o trabalho em finais de semanas e feriados e, além disso, os períodos de férias escolares são nossos melhores momentos em termos de faturamento.

Vejo grande oportunidade para profissionais e empresas que se dedicam a aprimorar a qualidade do atendimento ao público e sua capacidade de dialogar com as pessoas, tanto presencialmente quanto à distância, no sentido de garantir a melhor oferta para cada um de nossos milhares de visitantes.

Fale com o autor: aristidesfaria@ifsp.edu.br