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10.02.2009

Assim nasceu o 'Super RH'

Por: Auri Rodrigues Filho*. O autor conta como e por que a Área de Gestão de Pessoas assumiu a responsabilidade de elaborar e conduzir todo o planejamento estratégico da Ferramentas Gerais

Quando o departamento de Recursos Humanos de uma empresa se transforma em "Área de Gestão de Pessoas", é preciso mudar mais do que a plaquinha que fica na porta do setor. É necessário, também, formar uma equipe estruturada e alinhada com os objetivos e metas da organização. Uma equipe que seja capaz de enxergar a parte submersa do iceberg lá onde se encontram as percepções, sentimentos, atitudes, valores e comportamentos que regem a organização. E de executar um conceito bastante difundido, mas ainda pouco praticado: o de que as pessoas têm um papel estratégico no ambiente corporativo.

A Ferramentas Gerais inovou ao colocar em prática esse discurso. Agora, o Planejamento Estratégico da empresa parte de dentro do RH - ou melhor, da "Área de Gestão de Pessoas". Trata-se de uma mudança essencial, que traduz não só uma tendência, mas uma necessidade da organização como um todo. O discurso de que "empresas são feitas por pessoas" precisa ser aplicado na prática. Vivenciar essa nova experiência é algo que oportuniza a ampliação dos horizontes, a identificação de novos rumos e o aumento do leque de ideias por parte dos colaboradores. É justamente aí que a empresa ganha em vantagem competitiva.

Na prática, o que muda é o raciocínio que guia a gestão do Planejamento Estratégico. Antes, escolhíamos um caminho e depois, as pessoas para trilhá-lo. Hoje, escolhemos as pessoas e elas é que indicam o caminho. A própria mudança de nome do departamento de Recursos Humanos, que passou a se chamar "Área de Gestão de Pessoas", reflete essa nova realidade. Geralmente, o termo "recurso" é associado à área financeira ou tecnológica. É comum pensar em "recurso" como uma coisa ou um objeto, e não como uma pessoa. Daí a troca do nome: se pessoas são diferentes de recursos, nada mais lógico do que colocar "pessoas" no nome dessa área tão importante.

..:: Gestão de pessoas ::..

Para encarar esse desafio, é preciso que todas as pessoas que atuam na Área de Gestão de Pessoas tenham o planejamento em mente. A forma que encontramos para mudar a cultura dos colaboradores que atuavam no RH foi criar uma ferramenta palpável, que eles pudessem tocar, ver e ouvir todo dia. Foi assim que nasceu o "Modelo de Gestão de Pessoas". Trata-se do Planejamento Estratégico da empresa desdobrado para dentro da área. Na prática, nada mais é do que os objetivos gerais da corporação traduzidos para os limites nos quais podemos atuar.

No modelo estão descritos desde o objetivo principal da Ferramentas Gerais - "Vender Mais, Melhor e Sempre" - até o desdobramento dentro da Área de Gestão de Pessoas, que tem a missão de transformar 2 mil colaboradores em 2 mil vendedores. A partir daí, tornamos mais explícitos os planos estratégicos, táticos e operacionais da empresa, permitindo que as pessoas tenham uma visão macro, saibam entendê-la e principalmente, discuti-la.

..:: Mudança organizacional ::..

A cultura da Ferramentas Gerais e de seu presidente, Marcelo Favieiro, é fortemente alicerçada em um tripé: Tecnologia, Disponibilidade e Pessoas. Trata-se de uma premissa fundamental para o desenvolvimento e crescimento da empresa no longo prazo. Nesse contexto, a mudança relegou à Área de Gestão de Pessoas uma atuação estratégica ativa. A área é responsável por proporcionar o desenvolvimento pessoal e profissional a todos os colaboradores para que, em equipe, eles possam atingir os objetivos estratégicos construídos pelo próprio grupo.

Até o momento, o impacto da mudança tem sido muito positivo, tanto em relação ao público interno quanto ao externo. Nossos stakeholders têm, hoje, um entendimento muito mais claro de quais são as atribuições da Área de Gestão de Pessoas. Eles sabem que a área participa ativamente dos assuntos estratégicos da empresa - isto é, que discute o futuro da organização e tem um papel fundamental na construção do nosso Planejamento Estratégico. Ao mesmo tempo, os colaboradores e os gestores reconhecem a importância dessa nova abordagem - o que fica claro ao início de cada novo projeto ou ação.

É um trabalho de longo prazo. As pessoas, de um modo geral, estavam descrentes de que seria possível praticar a teoria e fazer com que a área de Recursos Humanos atuasse estrategicamente. A superação dessas dificuldades se deu, principalmente, com a entrega de resultados, quando as pessoas começaram a sentir os efeitos de toda essa mudança - que ocorreu sem perdas na qualidade do trabalho e no cumprimento dos prazos. De certa forma, estamos mostrando a todos como a Área de Gestão de Pessoas pode contribuir verdadeiramente para o alcance de resultados das demais áreas.

Ao mesmo tempo, sabemos que desenvolver um trabalho pioneiro exige um alto investimento. Mas, quando esse projeto der certo, estaremos à frente das empresas que ainda não o fizeram. O grande desafio é ter perseverança (e uma boa dose de paciência) diante das eventuais resistências. Temos nossos objetivos bem definidos e estamos com as pessoas certas. Barreiras e obstáculos certamente aparecerão pelo caminho. Para superá-los, basta dar tempo ao tempo e sermos persistentes em nossos propósitos e práticas de gestão. É preciso vivenciar essa atmosfera todos os dias, rever nossos planos de ação, avaliar e aprimorar constantemente nossos indicadores e, principalmente, envolver a equipe nesse processo. Somente assim conseguiremos gerir pessoas - e não apenas recursos humanos.

* O autor é gerente corporativo da Área de Gestão de Pessoas - o antigo departamento de RH - da Ferramentas Gerais
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