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8.03.2009

Textualizações do político na mídia: uma leitura discursiva da "Revista Veja"

Autora: Mariucha M. Néri

RESUMO
Talvez uma das linguagens mais interessantes, a imagem torna-se hoje não só algo atrativo, mas também fundamental para a manutenção das diversas mídias. Seja televisiva, impressa ou até mesmo a Internet, estes meios utilizam-se de imagens para abordar vários assuntos, ilustrando, assim, as reportagens que são veiculadas. Ao olhar do Jornalismo, a imagem passou a “atrair” mais o leitor e, junto à ampliação da publicidade – este muito ligado a lucratividade do veículo de comunicação – tornou-se um ‘item’ essencial e indissociável. No que diz respeito à memória de uma coletividade e à memória discursiva, conceitos, fundados na Lingüística, mais especificamente na Análise do Discurso de linha francesa, a imagem funciona como uma espécie de ‘estampa’ dos discursos. Os vários discursos que circulam hoje na sociedade estão intimamente ligados a diversas formações imaginárias e, claro, discursivas, sendo que estas chegam a permitir a passagem de situações empíricas, transformando-as nos chamados acontecimentos discursivos que, segundo Pêcheux (1990) “é o ponto de encontro de uma atualidade e uma memória; é ele que desestabiliza o que está posto e provoca um novo vir a ser, reorganizando o espaço da memória que ele convoca.” As imagens, na verdade, conseguem pôr em circulação os diferentes discursos, suscitando frequentemente “novos” acontecimentos discursivos. Neste ponto, a imagem torna-se um álibi tanto para a área de Jornalismo, quanto para o fenômeno da Memória Discursiva. Aponta-se essa relevância para ambas devido ao fato de que a reincidência de fato, ou um acontecimento discursivo, permite novas discussões a respeito de um mesmo assunto ou tema. Para exemplificar o que foi dito, serão utilizadas imagens retiradas do corpus de pesquisa de mestrado da autora deste resumo. O referido projeto possui como corpus de base arquivística, reportagens retiradas da revista citada, durante o período de junho de 2005 a abril de 2006, e que se referem ao período de queda do ex-ministro da fazenda do governo Lula, Antonio Palocci. Acredita-se que a mídia – que, no caso do trabalho citado é exemplificada pela revista Veja – auxilie na construção dos acontecimentos discursivos como, por exemplo, a “Queda do Ministro Palocci”. Junto ao recurso da imagem, a mídia acaba se inscrevendo em um denominado tipo de discurso (panfletário), que circula não apenas em piadas, charges, mas também nas fotomontagens, caricaturas políticas e até reportagens. A “criação” de um acontecimento discursivo, amparado por fotomontagens, entre outros recursos, mantém aquele determinado assunto na mídia, contribuindo, inclusive, por aumentar a vendagem dos meios de comunicação. Da mesma forma, a manutenção de um acontecimento discursivo permite que este permaneça na memória da sociedade, suscitando discussões, novos rumos e até soluções para o determinado fato, funcionando realmente como um operador da memória social. Por isso dizer que a imagem chega a se tornar espelho da sociedade, por conseguir refletir com fidelidade os fatos e acontecimentos que ilustram o cotidiano do homem.

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