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4.09.2009

Mire nos seus e evite que eles atrasem sua carreira...

Por: Bruno Vieira Feijó

Não importa o quanto você se prepare. Todo mundo tem um ponto fraco que precisa ser melhorado. Pode ser uma dificuldade de expor idéias com clareza ou um curso de idiomas que foi negligenciado. Ter falhas na formação é normal. Como profissional, sua tarefa é reconhecê-las e trabalhar para eliminá-las ou, no mínimo, reduzi-las. Como fazer isso? Invista no autoconhecimento. “É afastando fatores emocionais ou situacionais que se torna possível identificar verdadeiramente as competências que precisam ser desenvolvidas e que estão faltando”, explica Vera Saicali, diretora de recursos humanos do banco HSBC.

Para ajudar nessa tarefa de olhar para os pontos fracos, Você S/A ouviu sete diretores de RH de grandes empresas brasileiras e três consultores de carreira. Eles apontaram quais são os defeitos mais graves que um profissional pode ter hoje em dia, aqueles que realmente barram uma contratação ou uma promoção. Descobrimos uma série de pontos fracos que ainda são aceitos pelas organizações, mas que o profissional precisa melhorar se quiser continuar crescendo. Os especialistas de carreira revelam ainda quais são as competências que no futuro passarão a ser consideradas fundamentais para a evolução. Confira a lista, avalie seus pontos fracos e corra para corrigi-los.

Defeitos inadmissíveis

Esses pontos podem barrar um candidato num processo de seleção ou um profissional no recrutamento interno, ou na hora da promoção:

Ignorar os valores

Desconhecer a empresa é o erro mais grave que pode ser cometido, dizem os especialistas. “Estamos falando de clientes e fornecedores, em que posição no mercado a companhia se encontra e como ela defende sua atuação na sociedade”, diz Elisabete Alves, consultora do Idort, empresa paulistana de desenvolvimento de pessoas. Para sanar essa deficiência, informe-se sobre o lugar em que pretende trabalhar. “Quando o recrutador pergunta o quanto você conhece sobre a companhia é para saber se você tem consciência e se concorda com as formas que ela usa para ganhar dinheiro”, diz Preston Bottger, professor da escola suíça de negócios IMD.

Excesso de individualismo

A época do individualismo passou. Quem se declara capaz de resolver tudo sozinho perde pontos na hora da contratação. Procure estabelecer relações baseadas na troca de informações com os colegas. “Vivemos numa sociedade em rede, que demanda espírito colaborativo”, diz Lucilaine Bellacosa, gerente de desenvolvimento de pessoas da CPFL, empresa de energia que atua no interior de São Paulo.

Resistência às mudanças

O mercado está em constante alteração. Muitas pessoas trabalham por projetos, às vezes dentro de clientes, às vezes em cidades diferentes. “Não se deve resistir às variações de cenário”, diz Vera Saicali, do HSBC. Qual é a solução? Márcia Fernandes, diretora de relações humanas da Promon, dá a dica: “Adapte as idéias de acordo com a situação”.

Sem brancos

Para André Freire, de 34 anos, presidente para a América Latina da Terex, fabricante de equipamentos para construção e mineração, o maior desafio da carreira foi superar a timidez. A gota d’água aconteceu em uma viagem de negócios à matriz, nos Estados Unidos, para apresentar alguns projetos aos executivos mais seniores. “Na frente deles, deu branco: fiquei extremamente tenso e não me recordava das coisas que deveria dizer, tropeçava nas palavras”, diz André. Ele procurou cursos e coach para conseguir se apresentar melhor. Conquistou sua promoção após fazer uma palestra — dessa vez, sem branco — em uma convenção onde estavam presentes 300 dos principais executivos da empresa no mundo.

Pontos fracos tolerados

As empresas até contratam, dependendo da necessidade de preencher a vaga. Mas o profissional vai de que aprimorar esses aspectos para crescer:

Falta de experiência em liderança

As empresas estão preocupadas em encontrar pessoas que gerenciem conflitos e inspirem os colegas. Liderança é, portanto, um tema importante para as organizações e, por conseqüência, deve estar no radar dos profissionais. “Quando um talento demonstra potencial para liderar, deixamos passar até eventuais deficiências técnicas”, diz Adeildo Nascimento, diretor de RH da GVT, operadora de telefonia. Por isso, é importante entender que seu crescimento depende de formar uma equipe auto-suficiente. “A maior missão do executivo é desenvolver pessoas. Se não o faz é porque não compreende seu papel”, afirma Marco Antonio Gomes, gerente de RH da Aliança Navegação e Logística.

Incapacidade de se comunicar

Não chega a ser um fator de exclusão, mas foi o mais citado entre as competências que precisam ser superadas com rapidez. “A gerência serve justamente para captar as cobranças do alto escalão e transmiti-las para os subordinados sob a forma de metas. Tem de saber motivar e manter o clima positivo”, diz Adeildo Nascimento, da GVT. Ou seja, é importante ter clareza sobre seu papel e o dos colegas. Ofereça ajuda. “Não adianta ser um poço de conhecimento na área e não conseguir transmitir o que sabe com clareza”, diz Matilde Berna, especialista em carreiras da consultoria Right Management, de São Paulo.

Falta de iniciativa

A primeira tarefa de um profissional é cumprir bem o papel que lhe foi dado na hora da contratação. Mas é preciso tentar encarar tarefas que, em tese, não dizem respeito ao cargo. Essa atitude demonstra iniciativa e conta pontos a favor. “Só surpreende quem é proativo, quem faz além do esperado, sem aguardar instruções”, diz Sueli Campos, gerente de RH da Rhodia, multinacional da área química. Busque participar de atividades e faça sugestões. “Quanto mais ultrapassar o ritmo da empresa, melhor. Isso é demonstrado na velocidade da fala, nos gestos, no senso de urgência e na motivação para realizar”, diz Hugo Rodrigues, gerente de RH do McDonald’s.

Educação com lacunas

Falta de fluência em uma segunda língua ou ausência de pós-graduação são deficiências eventualmente aceitas. Se a pessoa tem uma trajetória excepcional, por exemplo, não deixará de ser contratada, pois pode suprir a lacuna com alguns anos de estudo. Mas mesmo quem chega à gerência sem o inglês se atrasa, pois poderia estar num cargo ainda mais alto. “Sem a pós, ela pode estar atualizada por outros meios”, diz Márcia Fernandes, da Promon. Para outras funções, a falta de idioma estrangeiro ou pós é inadmissível. Fica o recado: invista continuamente em sua formação.

Currículo agitado


As empresas estão com o pé atrás com gente jovem que já tem muitas empresas no currículo. O processo de admissão tem um custo. “Ninguém quer contratar uma pessoa para perdê-la um ano depois”, afirma Matilde Berna, da Right Management. Por isso, em muitos lugares, a luz amarela está acendendo quando uma ficha profissional muito recheada aparece. Avalie duas vezes antes de mudar de emprego. Não leve em conta apenas a remuneração, mas a possibilidade de desenvolvimento que a empresa e o cargo podem proporcionar. “Você precisa construir uma história e mostrar os resultados gerados no período”, diz Sueli Campos, da Rhodia.

Como falar sobre uma fraqueza?

Três dicas para ser sincero sobre um ponto negativo:

:: Mostre uma fraqueza que você já corrigiu;
:: Cite uma meta de aprendizado;
:: Prove que a fraqueza não prejudica seu desempenho.


Tarefas distribuídas

Ao virar gerente, Luís Tonisi, de 30 anos, vice-presidente de vendas da RFS, fornecedora de produtos para comunicação sem fio, enfrentou uma dificuldade típica de chefes que chegam cedo ao comando: delegar tarefas (em outras palavras, excesso de individualismo). “Comecei a carreira como vendedor, que é uma função naturalmente mais agressiva e individualista”, diz. “Como líder, você passa a depender mais dos seus colegas e subordinados.” Luís se esforça para repassar seus conhecimentos e também ouvir o que sua equipe tem a dizer. Para fazer isso, quase sempre discute os assuntos de sua área conjuntamente. Para a estratégia dar certo, a prática tem de ser diária. “Até hoje me controlo para não concentrar decisões que eu acho que poderia resolver sozinho mais rapidamente”.

Fique de olho!

Características que ainda não são altamente exigidas, mas que devem ser valorizadas nas empresas mais à frente. Quer garantir a empregabilidade? Invista nelas!
Falta de consciência socioambiental

Hoje nenhuma contratação é vetada por falta de envolvimento do candidato com esse assunto. Mas a maioria dos especialistas acredita que esse tema, que já é importante, pode ser um fator de exclusão no futuro. Fique de olho. "Desenvolver formas de fazer negócios sustentáveis vai se tornar responsabilidade de todo executivo", diz Lucilaine Bellacosa, da CPFL.

Mente estreita

O estilo técnico, bitolado e workaholic está saindo de moda. A tendência é a valorização do profissional que tenha interesses diversos por artes e humanidades e mantenha hobbies fora do trabalho. “Executivos com a mente mais estimulada são capazes de analisar as situações como um todo”, diz Vera Saicali, do banco HSBC. “Também está cada vez mais claro que aqueles mais felizes e realizados, que conseguem equilibrar trabalho e lazer, são os que mais entregam resultados.”

Capacidade analítica atrofiada

Com a internet, todo mundo tem acesso a milhões de dados. “A habilidade que está ganhando valor é saber separar o joio do trigo, entender o que se encaixa ou não no negócio da empresa”, explica Márcia Fernandes, da Promon. Mas atenção: não basta apenas compilar a informação. Isso é fácil, já que a maior parte do que está disponível na rede não presta mesmo. “Difícil é colocar a informação em perspectiva, descobrir a partir daí novas tendências e padrões de comportamento”, complementa Preston Bottger, da IMD.
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