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4.02.2009

De uma semente a uma floresta: Educação Ambiental

Por: Berenice Gehlen Adams

As florestas desempenham um papel fundamental para o equilíbrio ecológico e climático de todo planeta Terra. Elas realizam verdadeiras missões ambientais. As copas e raízes, por exemplo, regulam os fluxos de água e amenizam as diferenças de temperatura entre o solo e a atmosfera, contribuindo na promoção do equilíbrio e da estabilidade necessários para todas as formas de vida do planeta. Precisamos das árvores, e como!

Mesmo sabendo disto, elas continuam sendo derrubadas, e aos montes. Segundo a publicação "Consumo sustentável: manual de educação" produzida pelo Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Educação e Instituto de Defesa ao Consumidor (IDEC), o Brasil possui a maior extensão de floresta tropical do mundo - aproximadamente 65% do seu território (5,5 milhões de km2).

Dessa área, dois terços são formados pela Floresta Amazônica, sendo o restante composto por Mata Atlântica, Caatinga, Cerrados, Pantanal, Campos Sulinos e ecossistemas associados. Porém, a mesma publicação aponta que durante os últimos 80 anos, metade das florestas tropicais desapareceu por causa da destruição dos ecossistemas, por incêndios e por espécies exóticas invasoras, e principalmente pela derrubada de florestas para pastagens e para áreas agrícolas, destacando-se as áreas de produção de grãos como a soja. E para piorar ainda mais a situação, estas áreas, muitas vezes são simplesmente abandonadas depois de esgotada sua fertilidade. Somente na Amazônia brasileira são mais de 16 milhões de hectares de áreas degradadas, um verdadeiro insulto que infelizmente reflete uma mentalidade degradante e consumista da classe que movimenta e planeja a economia do país.

As árvores, além de sua utilidade, são seres que tornam a vida possível na Terra, portanto, é preciso enxergar além daquilo que elas podem oferecer para reconhecer que são fundamentais aos sistemas vivos do Planeta. Os indígenas norte americanos chamam as árvores de "o Povo em pé", portanto, tratam as florestas como uma espécie de "sociedade", que respeitam e que buscam desvendar segredos vitais. As florestas não são somente "farmácias vivas". Para eles elas formam um povo. E não é para menos que quando queremos expressar a grandiosidade de algo forte, com bases sólidas e com
resultados expressivos, fazemos alusão à árvore. Arthur Graf diz que "um ideal deve, como a árvore, ter suas raízes na terra".

Em cada livro há a essência das árvores, portanto, das árvores frutificam idéias que se multiplicam, e se consolidam. Por tudo o que a árvore pode representar, considero que a Educação Ambiental seja como uma, que pode ser cultivada em todos os espaços sociais, e quanto mais, melhor. A Educação Ambiental é uma árvore de idéias educacionais inovadoras, transformadoras e, principalmente, sensibilizadoras. E com este enfoque, de incentivo a uma cultura que, assim como "o Povo em pé", respeite a diversidade, é que nasceu há alguns anos um conto: A Alma da Escola", que transcrevo a seguir:

A Alma da Escola

Era uma vez uma Escola. Uma Escola que nasceu de um sonho: o sonho de tornar as pessoas capazes de viver em sociedade com amor, respeito, alegria, de forma organizada, onde cada um aprenderia a desenvolver seu potencial criativo para bem viver com todos os seres, em um ambiente saudável e feliz. Era uma Escola que educava para a vida. Nesta Escola havia muitos professores e alunos que viviam alegres e em harmonia. Uns aprendiam com os outros; todos ensinavam a todos. Aprendiam que tudo na Terra tem valor. Sempre respeitavam a todos, principalmente os mais velhos. Eram solidários, amigos e demonstravam uma grande integração e respeito ao ambiente.

Com o passar dos anos, a Escola foi crescendo e aos poucos foi mudando. Só que esta mudança não foi uma boa mudança porque os professores começaram a ficar severos, punitivos, exigentes, e tudo o que tinha valor eram notas altas, letra bonita, bom comportamento, conhecimento - quanto mais, melhor. Com isto as crianças deixaram de ser alegres e curiosas. Estudavam para tirar boas notas, escreviam bonito para agradar o professor, decoravam a matéria para provas e comportavam-se bem para evitar que chamassem os pais, para reclamações. Aqueles que não se enquadravam, passaram a ser considerados incapazes e improdutivos.

Pouco a pouco, a Escola foi ficando cada vez mais triste. Até que um dia a alma da Escola começou a chorar muito. (Pois é, Escola tem alma, vocês sabem...) Vendo aquela triste mudança, a Escola pensou: "Tenho que fazer alguma coisa! Isto não pode continuar assim!". Foi então que ela se lembrou do velho Sábio que morava numa montanha próxima. O Sábio conhecia a Escola desde pequenina. A Escola chamou o passarinho bem-te-vi, que voava por ali, e pediu que mandasse um recado ao Sábio. O pássaro, sem demora, voou até o alto da montanha, e com um belo, mas triste, trinado, passou ao sábio o recado.

Antes de descer a montanha, o Sábio entrou na caverna, pegou algumas sementes, enrolou-as numa folha de bananeira e seguiu em direção da Escola.

Chegando lá, o Sábio logo viu que as coisas não andavam bem. Percebeu que estava faltando, naquela Escola, o principal: o amor pela vida. Ficou observando como as crianças brincavam/brigavam e como os professores davam suas aulas. Como era um sábio, logo entendeu o por quê da Escola estar pedindo socorro. Esperou o sinal do final da aula e depois que todos haviam partido para suas casas, sentou-se no pátio e, de olhos fechados, pôs-se a conversar com a Escola.

- Querida Escola, vejo que as coisas não vão bem, mas não fique triste. Estou aqui para ajudá-la!

A Escola, então, falou:

- Sabe o que é, Sábio, não estou me sentindo muito bem. Sinto muito frio e muita tristeza, pois ninguém mais sorri como outrora. As crianças estão ficando adultas cedo demais. Brigam, competem, não lêem mais histórias e falam como se fossem "gente grande", e o que é pior, os professores valorizam mais as crianças que se portam assim. Não estão mais preocupados em educar para a vida e sim educar para o trabalho, para o vestibular, e para melhor competir com o seu semelhante. Isto está gerando muita discórdia e ressentimento. Eles estão, professores e alunos, distanciando-se cada vez mais do ambiente e dos seres que também têm direito a vida. O que devo fazer, Sábio? Estou muito fraca e acabarei morrendo. O que restará será simplesmente um prédio frio, sem vida, sem alma, apenas um depósito de pessoas grandes e pequenas...

O Sábio, após pensar um pouco, falou:

- Este é um sério problema, Escola, mas todo problema tem solução. Trouxe comigo algumas sementes de conscientização que colhi de uma linda árvore. Elas serão espalhadas antes do início das aulas. Logo, começarás a sentir alguns efeitos. Quando as sementes começarem a brotar, professores e crianças ficarão mais sensíveis e começarão a sentir falta do contato com a natureza, do respeito, da amizade, do amor. Aos poucos passarão a perceber o que é realmente importante para a vida e tudo começará a modificar.

- Mas, Sábio, como farei isto? Como poderei espalhar as sementes?

O Sábio riu e disse:

- Não te preocupes! Deixarei as sementes no canto do telhado e pedirei ao amigo Vento para fazer isto. Durante sete dias ele soprará estas minúsculas sementes que se espalharão pelo ar e entrarão no coração de cada um. Aos poucos as sementes germinarão e frutificarão. Porém, é preciso ter paciência.

A Escola respondeu que era difícil ter paciência, mas que iria fazer um esforço, pois sabia que valeria a pena. Falou, então, ao Sábio:

- Sábio, sei que não deveria ter deixado chegar a este ponto tão crítico. Mantive meus olhos fechados por muito tempo e não estava conseguindo ver esta realidade, até que a tristeza passou a ser insuportável. Acredito que vamos conseguir, com estas sementes, trazer de volta a VIDA e o AMOR que está faltando.

E o Sábio diz:

- Escola, tenha fé e confiança. Logo, logo perceberás as mudanças. Na medida em que conhecerem melhor a si próprios, tanto professores como alunos, passarão a ver e viver com respeito por tudo e por todos. E isto sairá pelos portões afora, chegará aos lares e por fim estará em todos os lugares: fábricas, indústrias, igrejas, hospitais, parques, florestas... Agora, tenho que ir!

A Escola despede-se do Sábio com palavras de agradecimento, e de repente, chama-o de volta:

- Senhor Sábio, tenho uma pergunta! Onde conseguiste tais sementes? Que árvore tão maravilhosa é esta?

O Sábio retorna alguns passos e responde serenamente:

- Foi numa árvore especial, muito grande, muito linda, mas pouco conhecida e compreendida. É chamada Árvore da Educação Ambiental.

Daquele dia em diante, a alma da Escola voltou a sorrir...
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