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2.09.2009

A solidão do líder

Por: Fernando B. Pinheiro, advogado, sócio sênior de Fernando Pinheiro Advogados

Nos meus 36 anos de experiência profissional tenho tido contato com líderes das mais variadas atividades. Além disso, vivi com o grande líder que foi meu pai, que montou um dos maiores e melhores escritórios de advocacia do Brasil e, quiçá, da América Latina. Além da experiência profissional advocatícia, durante todo esse tempo venho coaching (treinando) inúmeros amigos, companheiros de trabalho e conhecidos.

E o que vem a ser um líder? O bom líder é aquele que consegue reunir um grupo para realizar determinada tarefa, equalizando as diferenças dos integrantes do grupo e sabendo usar o que cada um deles tem de melhor. E o grupo pode ter um número grande de integrantes e, aí, nesse caso, o líder irá liderar um grupo de líderes. Exemplificando, na grande empresa, o presidente exerce a liderança sobre a diretoria, e cada um dos diretores sobre os seus comandados, e assim por diante.

Os presidentes de empresa ao exercerem a liderança encontram dificuldade, muitas vezes, de discutir o que pensam com os demais diretores, com receio de eventualmente mostrar certa fraqueza ou insegurança. E assim vão ficando cada vez mais isolados, passando a sofrer o que chamam de a síndrome da solidão. Enquanto os diretores podem discutir abertamente com o presidente as suas questões, o presidente fica isolado. O presidente da empresa sabe para onde ir, seja intuitivamente, cientificamente ou pela sua própria experiência. Mas ele acha que não pode discutir suas questões com a diretoria. Assim, eles ficam isolados em suas atividades, sem ter com quem discutir suas questões.

A questão não é o isolamento, e sim as conseqüências que isso pode trazer. Esse isolamento poderá causar decisões menos acertadas, angústias, insegurança ou depressão, com todas as conseqüências daí advindas, inclusive o medo de errar. O líder precisa ter alguém com quem trocar idéias, alguém que o faça pensar em diversas alternativas, alguém que o ajude a não ter medo de errar.

A pessoa ideal para um líder discutir certos assuntos relacionados à empresa, seria o líder da empresa concorrente, mas isso é inimaginável quase sempre. A esposa, o marido, os filhos também são pessoas com quem o líder não conseguiria discutir os assuntos da empresa. Talvez algum amigo, mas não haveria o comprometimento necessário para essa discussão. Um terapeuta também não seria a pessoa ideal, por estar acostumado a lidar com outras questões.

E assim nasceu a figura do coach, ou treinador, para ajudar (ou treinar) o líder a conseguir mais em menos tempo. O coach, como a própria palavra diz, é um treinador para o empresário ou para qualquer profissional. No esporte, o treinador procura fazer com que o esportista dê o melhor de si para vencer a competição, ajuda na concentração. O coach para o empresário fará a mesma coisa, ele deverá ouvir o líder com o compromisso de sigilo, e estimulá-lo a escolher o melhor caminho. Não é o coach que escolhe o caminho, é o empresário.

O coach, como já dito, é um treinador. Não há competição entre o líder e seu treinador. O treinador vai, simplesmente, estimular o empresário a encontrar a melhor solução na opinião dele, empresário. Por esse motivo, o coach não precisa ser um especialista no ramo de atividade da empresa do líder, mas precisará conhecer as pessoas e o mundo dos negócios.

O coach deverá ser um bom ouvinte e um bom inquisidor, deverá ter experiência e vivência para poder discutir com o empresário os diversos dilemas deste na condução da empresa, na liderança da sua empresa. O coach deverá entender os objetivos do empresário líder e estimulá-lo a encontrar as respostas para as suas dúvidas. Nisso o coach difere de um consultor, porque este indica os caminhos possíveis.

Já se formaram no mundo vários institutos para estudar e discutir o que vem a ser coach. Mas o coach não se forma na escola. O coach requer experiência de vida, saber lidar com empresários, saber ouvir as pessoas e suas angústias e, finalmente, estimular o pensamento do líder para que este encontre, dentro de si, as respostas que lá estão.
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