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11.03.2008

Resiliência estratégica e gestão de mudanças

Por: Eduardo Carmello, é autor de Resilência – A Transformação como Ferramenta para Construir Empresas de Valor, recém-lançado pela Editora Gente.

Não seria exagero dizer que grande parte das empresas, líderes e profissionais que estão na corrida dos negócios fazem-na em estradas mal asfaltadas e com GPS’s falhando. O conhecimento se expande, mudando e diversificando as rotas de oportunidades. Tudo é novo! E o novo conhecimento é excitante e ao mesmo tempo caótico para o “cérebro” organizacional.

A disfunção dos processos e políticas empresariais é desgastante, provocando perda de energia, excesso de esforços e resultados muito abaixo do esperado. Há muita disponibilidade de informação, mas pouco acesso ao que é prioritariamente relevante. Há uma dificuldade enorme em transformar conhecimento tácito em explícito – e quando conseguimos sistematizar e entregar as competências, descobrimos que as fizemos tarde demais. Este é o momento para empresas e líderes aprimorarem seu nível de resiliência.

Há uma grande necessidade de compreensão de como as pessoas encaram e gerenciam um processo de mudança e alta complexidade na organização, pois, como já sabemos, as pessoas não resistem às mudanças, resistem a serem mudadas.

Pode-se utilizar a resiliência e sua metodogia para:
- promover as mudanças necessárias para atingir seus objetivos e os da empresa;
- manter as competências e habilidades, mesmo diante das adversidades;
- antecipar crises, prever adversidades e se preparar para elas;
- ter firmeza de propósito e manter a integridade.

O conceito de resiliência ganhou proporções maiores no campo da educação, sociologia, física, psicologia, medicina e, agora, administração. O termo provém do latim resilio, que significa “saltar para trás” ou “voltar ao estado natural”.

É preciso ter muito cuidado com o conceito, pois muitas revistas e pessoas conhecem uma versão limitada de que ser resiliente é “aguentar” a situação, “suportar pressão”, “ser saco de pancada” ou até mesmo “deixar submeter-se passivamente”. Você não é elástico, ponte, silicone. Tudo isso são metáforas produzidas por pessoas que olharam o conceito pelos filtros da física (objetos passivos, que não sentem, não andam e não têm propósito) e não correspondem ao que se espera de um profissional resiliente num mundo altamente dinâmico e turbulento.

Você é resiliente quando cresce nas mudanças, inova, antecipa-se às situações e produz coerência estratégica para sua equipe e clientes. Sua influência como um ser resiliente precisa ter mais impacto proativo e ser orientado para o futuro.

A Caterpillar, no início dos anos 1980, utilizou-se do processo de resiliência para, em poucos anos, passar de uma condição de quase falência para um quadro de lucro. Para o presidente da empresa, James Owens, “foi uma revolução que deu origem a um renascimento, uma transformação espetacular de uma empresa quase apática em uma organização realmente provida de entusiasmo empreendedor.”

A gestão utiliza o conceito de resiliência em diversos contextos e em níveis de maturidade organizacional. Uma empresa pode estar prestes a falir, outra está com dificuldades sazonais, outra precisa melhorar e aprimorar a performance. Todas precisam promover mudanças e podem ser resilentes. Mas é a mesma resiliência para todas as situações?

O processo de resiliência respeita as circunstâncias em que a empresa se encontra. Faz uma análise da situação, descobre como ela está se adaptando, define o tempo que tem para promover mudanças e cria uma solução de resiliência a partir das necessidades específicas e das oportunidades de melhoria que pode obter com a mudança.

Ao longo do processo de desenvolvimento da resiliência nas organizações, percebemos que ela pode apresentar diferentes significados, representados em níveis (organizados por mim).

• Resiliência nível 1 (RN1) – Quem se recupera de traumas e adversidades;
• Resiliência nível 2 (RN2) – Quem se torna mais flexível, fluído, “leve”,consistente e econômico;
• Resiliência nível 3 (RN3) – Quem cresce e fortalece, mesmo em situações adversas ou de mudança;
• Resiliência nível 4 ou resiliência estratégica (RN4) – Quem antecipa acontecimentos, produz congruência e pode inclusive transformar a realidade;

A aplicação da resiliência estratégica exige um processo integrado de atualização e ajuste do modelo mental da empresa e sua capacidade de modificar os conhecimentos e competências para obter uma execução e um processo operacional que manifesta exatamente suas intenções estratégicas. O resultado é uma empresa mais preparada e engajada para construir seu futuro sustentável.

A resiliência estratégica torna-se um conceito altamente atrativo no mundo organizacional, que precisa urgentemente antecipar-se às mudanças, mudar e entregar competências relevantes para a geração de soluções que os clientes vão querer e precisar no futuro.

Confira aqui uma interessante reflexão sobre a maneira como reagimos a situações adversas! Vale a pena pensar um pouco sobre como nos comportamos em situações hostis no trabalho e na vida pessoal!
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