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10.03.2008

Cinco toques com... Sonia Xavier

O blog [RH em Hospitalidade] apresenta quinzenalmente um espaço de entrevistas chamado “Cinco toques com...”. São entrevistas rápidas com pessoas do trade turístico e com profissionais de RH acerca de seu momento na carreira, as perspectivas do mercado e projetos futuros. Com a palavra, o pessoal um com o pé no mercado, atualizado com o que acontece nos diversos segmentos da Hospitalidade Comercial.

Aristides Faria: Sonia, apresente-se, por favor!! Conte um pouco de sua formação, sua experiência, sua atuação no Jornalismo especializado em publicações de Turismo...
I - Sonia Xavier: Olá, Aristides! Bom, sou jornalista com quase duas décadas de experiência, sendo que nos últimos 10 anos atuei na cobertura de turismo. Minha primeira experiência foi na revista Horizonte Geográfico, onde fui repórter. Na época, e creio que ainda hoje, a Horizonte era pautada em reportagens sobre ecoturismo e viagens não-convencionais. Ou seja, não faltavam lugares incomuns em suas páginas e por isso, meus anos lá, foi de intenso aprendizado.

Em 2000 fui convidada a integrar a equipe de repórteres dos Guias 4 Rodas. Foram sete anos de muito chão percorrido por esse Brasil imenso. Pude assim, conhecer quase todos os estados brasileiros, só não estive, por enquanto, na Paraíba. Sai dos Guias para poder dar continuidade aos meus estudos e trabalhar em um velho sonho: transformar as histórias de viagem em um livro. Em março de 2008, em conjunto com outras 4 jornalistas, lançamos o Mulheres Sobre Rodas. Nele contamos algumas das nossas vivências nas estradas do Brasil. Atualmente, alimento o blog do livro, faço matérias para várias revistas e trabalho em novos projetos literários.

Aristides Faria: Quais principais desafios você enfrentou ao orientar sua carreira de jornalista ao segmento de turismo? Foi uma decisão ou as oportunidades surgiram, fazendo com que as coisas acontecessem naturalmente?
II - Sonia Xavier: Confesso que inicialmente foi uma oportunidade que surgiu. Todo mundo sonha em ganhar dinheiro viajando pelo Brasil ou pelo mundo. Como isso parecia um sonho eu não havia levado muito à sério esta possibilidade. Quando entrei para a Horizonte Geográfico o mundo se abriu. Lá, tratávamos o turismo não apenas como uma oportunidade de viagem, mas também como forma de ampliar o conhecimento sobre outros povos, costumes, manifestações culturais. Era fascinante!

Aristides Faria: E a experiência do projeto Mulheres sobre Rodas. Como surgiu? Como vocês se aproximaram e decidiram executar esse sonho? Qual a ligação entre Alexandra, você, Beatriz, Cristina e Karina (foto)?
III - Sonia Xavier: Quando deixei a redação do Guia já tinha alguns projetos em mente. Numa conversa com a Alexandra Gonsalez, uma jornalista e amiga, chegamos à conclusão de que era hora de tentar produzir o livro. Convidamos as outras autoras (todas jornalistas, que foram repórteres de turismo e amigas) para a empreitada.Cuidamos de todas as etapas da produção editorial.

Nosso passo a passo foi o seguinte: escrevemos o projeto, procuramos um design gráfico para cuidar da imagem do produto, inscrevemos na Lei Rounet e fomos atrás de patrocínio. Assim que o Ministério da Cultura aprovou o livro, entramos em contato com a Volkswagen que já tinha manifestado interesse no livro. No dia 13 de março o Mulheres foi lançado. Ficamos surpresas como as coisas deram certo. Até então, não conhecíamos muito sobre esse universo, mas lemos muito, fuçamos de todos os jeitos e conseguimos transformar um sonho em realidade. Por mais lugar comum que isso pareça, foi assim que aconteceu.

Aristides Faria: De modo geral, como anda o mercado editorial no segmento de turismo? Que áreas você sente que têm crescido mais? Hotelaria, Ecoturismo, Viagens Corporativas...?
IV - Sônia Xavier: Essa é uma grande questão. Turismo é um setor que cresce muito. Vira e mexe saem números tentadores, até mesmo no Brasil, mas quando se fala em mercado editorial no setor a realidade é outra. Prova disso, é a quantidade de revistas que temos. Na minha opinião, pouquíssimas. Se você perguntar para os gestores das publicações, tenho certeza que nenhum vai apresentar números animadores. Com Ecoturismo, então, é pior. Prova disso, é a extinção da revista Família Aventura. Até a Horizonte Geográfico, só consegue se manter graças aos projetos culturais que consegue patrocinar. Venda em banca não paga revista, sabia? Acho que assim que a Bienal do Livro acabar e os números forem divulgados teremos mais informações sobre livros que abordam o turismo. Por hora, prefiro falar como jornalista da área: para me sustentar, dependo de outras fontes além de textos sobre Turismo. Infelizmente!

Aristides Faria: Tenho provocado o pessoal que participa do projeto "Cinco toques com..." a proporcionar algumas dicas aos leitores do blog [RH em Hospitalidade]. E você não escapou rsrs!! Vamos lá, três passos para quem deseja investir na carreira jornalística especializada em publicações de turismo? E pelo menos uma pra os "blogueiros" de plantão...
V - Sônia Xavier: Bom, vamos a eles:
1 – DEIXE OS PRECONCEITOS DE LADO. Se você quiser escrever sobre turismo tem de analisar cada lugar de maneira independente, respeitando sua localização geográfica, os hábitos culturais de seu povo, suas limitações econômicas, entre outras coisas. Acho um absurdo aqueles que reclamam da qualidade de serviço em outras regiões e imediatamente comparam com São Paulo. Turismo não é se deslocar para conhecer o que temos em nossa cidade, é descobrir novos padrões. É experimentar o novo. Tenha isso sempre em mente.

2 – VIVA O LUGAR. Apesar de ter de ouvir as fontes oficiais (secretarias de turismo, associações de hoteleiros, donos de hotéis etc), só é possível caracterizar bem um lugar com conversas com os moradores locais. Normalmente, aquele aposentado que está jogando dominó na praça tem histórias ótimas para contar. A mulher que vende artesanato pode te mostrar um outro lado do lugar, falar da sustentabilidade local. Se o guia for local, ande quilômetros com ele, terá a possibilidade de descobrir como é o lugar de uma forma única. Fale também com os jovens e tente não ser alguém em busca de informação. Tente viver a realidade do lugar. Só assim vai conseguir transmitir em seu texto informações com sentimentos.

3 - APRENDA ANTES. Todo jornalista tem atração fatal por descobrir novidade. Portanto, é preciso ler tudo o que foi publicado sobre o lugar antes de partir. E isso não se limita a reportagens. Quando percorri Minas Gerais, quase podia ouvir Carlos Drumonnd de Andrade e Guimarães Rosa, falando de sua terra. E a Bahia? Jorge Amado é insuperável na descrição do seu povo. E por aí vai. Aprenda antes para não perder tempo com assuntos já tratados...

4 – RESPEITO ACIMA DE TUDO. Lembre-se que ao sair de sua casa você passará a ser considerado um estrangeiro ou ainda um invasor. Portanto, educação, a base da boa convivência social, é essencial. Respeite as preferências dos outros e dirija-se às pessoas com cordialidade.

5 – PERMITA-SE MARAVILHAR-SE: Não tente ser durão ou do tipo que não admira uma flor, uma paisagem ou um linda praia. Respire fundo e permita-se deixar o coração se conectar com o lugar. Se não quiser transmitir suas sensações mais profundas no texto, tudo bem. Tenho certeza que parte dela estará lá, escrita formalmente. Fernando Pessoa falava de Portugal e do mar com uma paixão tremenda. E não precisa ser poeta para se apaixonar por um destino, basta senti-lo. O Brasil, no conjunto da obra, é um dos países mais lindos do mundo. Tem um povo especial, hospitaleiro e amigo. Olhe com atenção que vai verificar isso. Costumo dizer que meu coração é verde e amarelo, de verdade. É assim que o visualizo. Boa sorte na carreira, valorize o turismo local e explore o país. Tenho certeza que seus dias serão muito melhores.
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