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9.24.2008

Comprometimento X Qualificação

Por: Osni Gomes

Fazer a engrenagem de uma empresa funcionar, independentemente do seu porte, não é tarefa muito fácil. Cuidar da definição e manutenção de processos e padrões, respeitar as regulamentações, contribuir com a qualidade de vida, fazer o negócio prosperar, entre outros, são alguns exemplos de objetivos que tiram o sono de muita gente.

Em meio a tudo isso, um fator de extrema importância é ter no quadro de profissionais pessoas que percebam os objetivos maiores da organização e consigam se reconhecer como peça fundamental para o funcionamento do mecanismo “empresa”. Será que basta andar pelos corredores das empresas para ver freqüentemente pessoas que se enquadram nesse perfil? Certamente a resposta é não. A realidade é que a maioria está ali apenas para trocar algumas horas de trabalho diário por uma remuneração ao final do período. Não conseguem conectar as metas organizacionais de médio e longo prazo com seus objetivos pessoais. Outro ponto negativo é que muitos nem mesmo têm metas pessoais.

A empresa precisa, através das suas lideranças, identificar quem são os construtores, os destruidores e os indecisos, sendo que essa identificação deve ser seguida por decisões e ações. É sabido que mexer nesta “caixa de abelhas” requer investimentos, tempo, remanejamento e desligamento de profissionais, etc. Cada empresa tem suas particularidades e cada caso é um caso, mas é bom refletir se é valido realizar um grande esforço na tentativa de mudar os destruidores e os indecisos ou se é melhor investir nos construtores. Naturalmente estes últimos já possuem a mente mais preparada para aceitar o novo, enfrentar as mudanças, assumir riscos, e principalmente, no contexto aqui apresentado, contribuir para a sensibilização e adoção de novas posturas por parte dos demais.

Nem sempre aquele profissional que apresenta uma maior preparação técnica é o que contribui ou o que poderá contribuir mais com a empresa na obtenção dos resultados almejados. Isso ocorre porque uma boa qualificação não significa necessariamente um alto grau de comprometimento. Possuir muito conhecimento e experiência mas não compartilhar não agrega valor ao todo. Um nível de qualificação satisfatório é base para que os resultados apareçam no dia a dia, porém, se não for olhado com muito carinho o potencial a ser desenvolvido nas pessoas, perde-se a oportunidade de estabelecer uma plataforma mais sólida para os resultados de amanhã.

Deve-se atuar em duas frentes, ou seja, buscar o comprometimento daqueles que já têm uma boa qualificação técnica, mas nunca deixar de investir pesado naqueles que ainda não possuem muita bagagem, mas representam um grande reservatório de energia e disposição. Cabe a cada empresa reconhecer em que proporção precisa atuar nessas frentes. É fato que em praticamente todas as organizações existem estes dois lados da moeda e o que se deve buscar ao longo do tempo é o surgimento cada vez maior de pessoas qualificadas e comprometidas, que realmente são os maiores responsáveis não só por alavancar os resultados, mas principalmente por garantir a prosperidade do negócio.

Constantemente empresas perdem profissionais para o mercado depois de destinar verbas significativas para a formação e desenvolvimento dos mesmos. Este é um risco inerente ao processo e não é fácil evitá-lo. Quando um profissional se vai, mas pelo menos teve a oportunidade de deixar algo de positivo e importante marcado na história da empresa, o investimento não foi de todo inútil. Terrível é apostar nas pessoas erradas, que recebem conhecimento, não fazem nada com ele, podendo até atrapalhar o sistema. Em contrapartida, muitos que possuem enorme potencial não são vistos ou são ignorados, partindo sem deixar nenhuma marca. Os talentos devem ser identificados e desenvolvidos dentro das corporações ou certamente brilharão em outros lugares.
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