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8.18.2008

Reflexão: entre idéias vagantes...

Entre idéias vagantes, pedaços de louça e dobraduras de origami.

Aristides Faria

Dizer que a mente humana “é capaz de coisas incríveis” já se tornou um chavão. Apesar de ser uma das poucas verdades inquestionáveis nesse universo, acredito apenas parcialmente nesse “lema”. Não que sejamos incapazes.

É claro que há muita inovação em curso, entretanto, muitas de nossas ações revolucionárias são meras repetições de ações do passado. Demorei a me conformar com a idéia de que muito, ou tudo, o que fazemos hoje são somas de idéias já lançadas ao ar. É claro que isso é outra meia verdade, entretanto não consigo citar o restante da mentira.

Desde então mudei de estratégia. Passei a trabalhar como um conector de idéias. Somando idéias, adaptando-as às circunstâncias e criando novas. É como uma roupa de malha composta por três cores diferentes – de retalhos diferentes.

Nossa, preciso retomar o título do texto! Bem, andei pensando em algumas passagens recentes e percebi, seguindo esse raciocínio, que muitas dessas ações incríveis e revolucionárias são reforços do passado. Resumindo: passamos a somar idéias, reforçando iniciativas do passado, buscando soluções para o presente, em vistas de um futuro desejado, porém incerto.

Talvez seja um reflexo da “crise dos 25 anos” (se é que já a cunharam), talvez seja o meu inconformismo nato. Fato é que me intitulava tão criativo e inovador, agora passei a me ver como um estrategista oportunista. Catando idéias vagantes no espaço da imaginação, colocando-as em prática no reino das realizações. Isso é errado? Ajudem-me!

Escrevi todas estas palavras e linhas uma após a outra, conectei todas essas idéias, cultivei todo o terreno para fazer uma comparação. Antes de trazer à tona, sugiro que enxerguem meu inconformismo e inquietude como um pano de fundo.

Cenário pronto? Então vamos lá. Um relacionamento terminado. Um noivado desfeito. Interferências múltiplas. Percepções nubladas. Projeções e demais imagens arranhadas. Palavras ásperas. Paredes manchadas. Todos passaram ou viverão a lástima (no fundo sempre é) do término de uma relação amorosa. Mas que diabos faz com que momentos tão positivos se tornem sentimentos tão negativos. Quanta polarização, céus!

Certo dia, vagando no espaço da imaginação, inconformado com a expressão “um vaso quebrado jamais será o mesmo”, resolvi buscar uma comparação que me ajudasse a não crer que relacionamentos partidos jamais poderão retomar beleza em sua forma e conteúdo. Tentei algumas e consegui! Obrigado, Senhor! Consegui! Nesse exato momento retomei todas as forças e toda a esperança que pareciam ter fluído pelo ralo do chuveiro.

Imagine seus relacionamentos como folhas novinhas, lisas, perfeitas em suas medidas. Escolha sua cor preferida (depois adapte às preferências do parceiro, hein?!). Agora vá, escreva dia-a-dia a história do casal. Anexe fotos, cole bilhetes amorosos, some escritos de pessoas próximas. Pronto, temos uma folha nova, lisa, perfeita, repleta de uma história provavelmente belíssima. Dobre-a conforme seu instinto.

Sua habilidade e conhecimentos prévios farão de sua figura mais ou menos bela, conforme os padrões. Invariavelmente você terá um origami. A partir desse exercício comecei a perceber que a verdadeira beleza está em dobrar sem pensar na próxima aresta. Fazendo com paixão uma por vez. Não pensando só no resultado final.

Terminou? Tudo bem, você tem o direito de passar a outra folha. Contudo, lembre-se que lá ainda estará sua história... e para todo o sempre. Assim sugiro que veja mais beleza em seu dia-a-dia, sabendo que há amanhã, mas que o que importa é dobrar com amor cada uma de suas arestas. Todas elas terão valor na obra final. Sabe por quê? É que invariavelmente você terá um origami.

Colecione nossos textos! Faça aqui o download do arquivo!
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