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8.20.2008

Identidade e vínculos emocionais

Identidade e vínculos emocionais

Aristides Faria

A minha Sorte do Dia no Orkut de hoje é “O tempo é o Senhor da razão”. Vou fragmentar esse pensamento enquanto tento vincula-lo ao título que dei a este texto. Acompanhe minha linha de pensamento, vamos lá!

De início já nos deparamos com o Tempo. Há algo mais confuso e controverso do que o Tempo? Aliás, de qual Tempo estamos falando? É como se fosse uma família de Tempos gêmeos fraternos (com a mesma idade, mas nada semelhantes). Ora, essa conversa logo me remete a seu primo, o Prazo. Temendo ser redundante, pergunto se você tem idéia de quanto tempo eu já investi para saber o que é curto, médio e longo prazo. Tens? Bem, nem eu tenho mais. Faz tanto Tempo que deixei de pensar nisso...

Depois de ter encontrado um bom argumento, logo parei de refletir acerca do Tempo de duração dos Prazos. Resolvi acreditar que o “tamanho” do Prazo é determinado pela baliza que se convenciona em dada ocasião. Bonito isso, não?! Pois é, sempre que entro nesses debates, me saio com a intrigante resposta: - “Depende do referencial”.

Achei isso muito original, mas logo me falaram que eu só estava usando a Teoria da Relatividade, descrita por Einstein, junto da mais tradicional das respostas dos Advogados deste Brasil a fora: - “Depende”. Não me abalei e continuo usando. Oras, eu estava tão feliz assim!

Vamos ao segundo fragmento? Em relação a “ser o Senhor”, eu já estou intrigado. É dito que o Tempo não nos pertence, escorre pelas mãos e assim por diante. Se ele não é nosso – do Homem – ele é do Tempo? Ok! Mas o Tempo não compreende nem a si mesmo! Como é possível ser Senhor de algo, sem ao menos ter a visão do reino original, tácito e interior? Então, Tempo, vá catar coquinho!

Assim vou cair em gargalhada! Acabei de verificar que o Tempo não está se entendendo e que, tão logo, ele não rege, muito menos pastoreia qualquer rebanho. Não é Senhor de nada. Aí vem o terceiro fragmento falando de razão? Parem o mundo, eu quero descer!

Venho me questionando sobre as distorções do mercado de trabalho, as incongruências entre as aspirações dos casais mais apaixonados e sobre a incoerência com que determinadas situações apresentam-se para nós.

Escrevi um dos capítulos do livro Diálogos, a ser publicado no mês de setembro do presente ano. O título de meu artigo carrega duas expressões positivamente pesadíssimas: identidade e vínculos emocionais. Somam-se ao título da obra completa, diálogos. Aliás, qual a melhor maneira para gerar identidade e vínculo senão dialogando?

Engraçado como desperdiçamos tanto Tempo, buscando aprender e crescer mais a fim de tornarmo-nos Senhores de saberes tão fúteis. Triste como parece ser uma decisão tão baseada na Razão, mas que, em verdade, é a mais pura impulsividade da emoção.

Infelizmente o Tempo investido no diálogo sincero e interessado – não interesseiro – é tão escasso. Seja lá de qual “Tempo” estejamos falando, o prazo para o “fim do papo” deveria ser mais folgado. Percebo que, por falta de Tempo (será?), os Prazos abreviaram-se e as pessoas têm cada vez menos chance de ir, vir, errar, repensar, consertar, ir novamente e continuar proseando. Olhe ela aí... vai ver que são os novos Tempos. Incrível estranho como estamos subjugados, presos a ele! Estou começando a me convencer de que ele é definitivamente o Senhor!

Fim de papo, vamos aceitar os fatos. Antes que seja tarde e o Prazo se esgote preciso confessar uma coisa: eu seria um cara muito mais feliz se fossemos orientados e regidos por outros de seus primos: os Momentos. Aqueles que nos gelam as mãos, congelam a barriga, secam a boca, prendem as palavras, pulsam o coração, tremem as pernas, fazem sorrir os lábios e nos obrigam esquecer de qualquer sentido de Tempo ou outros limites quaisquer que os Prazos teimam impor.


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